Médicos americanos descobrem novos riscos associados a remédios para dormir 

Uso dos medicamentos aumenta risco de morte em obesos

Uma pesquisa liderada por americanos revela que remédios para dormir podem não ser tão seguros quanto se acreditava. Segundo os estudiosos, os resultados mostraram que oito dos medicamentos para dormir mais comumente utilizados foram associados com riscos elevados de mortalidade e câncer. Além disso, as descobertas revelaram que o uso do remédio duplica o risco de morte em obesos. Os resultados foram apresentados no congresso da American Heart Association.

"A obesidade emergiu como um marcador de maior vulnerabilidade", confirmou o médico epidemiologista Robert Langer, do Centro de Jackson Hole de Medicina Preventiva em Wyoming, Estados Unidos. "As associações entre pílulas para dormir e aumento da mortalidade estavam presentes, e relativamente mais fortes, mesmo em pessoas com idade entre 18 a 54".

Entre os pacientes analisados nos estudos, os que apresentavam Índice de Massa Corporal (IMC) de 38,8 e tomavam 18 ou menos pílulas por ano, o risco de morte registrado foi 8,1 vezes maior. Esse número sobe para 9,3 nos participantes que tomaram um número maior de pílulas - 132 ou mais ao ano. Os pesquisadores chegaram a esses resultados usando dados armazenados em um prontuário eletrônico que está em vigor há mais de uma década e reúne informações sobre cerca de 40 mil pacientes atendidos por um sistema de saúde integrado no nordeste dos Estados Unidos.

"É importante ressaltar que nossos resultados são baseados em dados observacionais, e que embora nós tenhamos feito tudo que podíamos para garantir a sua validade, ainda é possível que outros fatores expliquem as associações", disse um dos autores do estudo, Lawrence E. Kline. "Esperamos que nosso trabalho estimule pesquisas adicionais nesta área com informações de outras populações".

Para um dos autores do estudo, o psiquiatra Daniel Kripke, a vulnerabilidade dos obesos pode estar associada à apneia do sono. Ele observou que pílulas para dormir foram previamente associadas com mais e maiores pausas na respiração em pessoas com apnéia do sono.

O estudo surge como uma má notícia para um segmento crescente da indústria farmacêutica americana, que chegou a apresentar crescimento de 23% entre 2006 e 2010 nos Estados Unidos e gerou cerca de US $ 2 bilhões em vendas anuais.

Para Kline, a pesquisa deve servir como um alerta para que médicos pensem em alternativas para medicamentos hipnóticos. Segundo ele, o ideal é focar em uma terapia cognitiva que ensine os pacientes a entender melhor a natureza do sono. 

"Compreender como usar o ritmo circadiano é uma ferramenta muito poderosa que não requer prescrição", afirmou. "Os pacientes também podem se beneficiar ao praticar bons hábitos de sono e relaxamento, bem como aproveitando relógio natural do corpo, que é impulsionado pelo nascer e pôr do sol". 

Quando a insônia resulta de problemas emocionais, como depressão, os médicos devem tratar o distúrbio psicológico em vez de prescrever pílulas para dormir que poderia revelar-se prejudicial, acrescentou o médico.