Artigo - a história do câncer

O câncer, nome genérico que engloba mais de 300 formas diferentes da doença, não é exclusivo do homem. Todos os seres vivos multicelulares, como gatos, cachorros, peixes, e até mesmo árvores podem desenvolvê-lo. O primeiro exemplar de tumor de que se tem conhecimento é o de um angioma (tumor de origem vascular), encontrado no fóssil da vértebra caudal de um dinossauro que viveu há cerca de 125 milhões de anos, durante a Era Mezozóica.

Em seres humanos, os primeiro registros são os de uma múmia egípcia da III ou IV dinastia (cerca de 2.700 a.C), acometida por uma lesão maligna na nasofaringe - porção da faringe responsável pela passagem exclusiva de ar -, e o de esqueletos de indivíduos da civilização inca com metástases de melanoma (tipo de câncer de pele).

O câncer é uma doença multifatorial, isto é, originada da interação de fatores químicos (cigarro, poluição ambiental, exposição contínua a determinados produtos químicos), físicos (exposição excessiva ao sol, a exames radiológicos ou substâncias radioativas), genéticos (doenças genéticas predisponentes como a síndrome de Down, a síndrome de Li-Fraumeni, a neurofibromatose, a síndrome hereditária do câncer da mama e do ovário etc.) e virais (por exemplo, os que causam as hepatites B e C, o papiloma – HPV, a mononucleose infecciosa).  

Algumas condições favorecem o desenvolvimento da doença. Entre elas estão as inflamações crônicas - como a gastrite induzida pela bactéria H. pylori, a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa-, a má alimentação, a obesidade e o sedentarismo. De tal forma, o controle do peso e a prática de exercícios são cada vez mais valorizados como forma de prevenção.

A tabela abaixo - elaborada com base em dados do Instituto Nacional de Câncer - apresenta a estimativa de novos câncer no Brasil em 2012, segundo sexo e localização primária. O câncer de pele não-melanoma é o mais frequente com 134.170 casos previstos (ambos os sexos), seguido pelo câncer de próstata (60.180) e o de mama (52.680), que superou o do colo uterino (17.540) em virtude da campanha eficiente de prevenção implantada nas duas últimas décadas.

O controle ou a cura de muitos tipos de tumores malignos vêm aumentando nos últimos anos. Além disso, graças aos grandes avanços experimentados na cirurgia, radioterapia, imunoterapia quimioterapia, e, mais recentemente, na terapia-alvo (específica para erros moleculares da célula maligna), muitas formas não curadas da doença tornam-se crônicas, assim como a hipertensão e o diabetes.

*José Carlos do Valle é professor titular de Oncologia da Universidade Gama Filho e membro titular da Academia Nacional de Medicina.