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Stanford: agricultura intensiva reduz emissões de poluentes

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Portal Terra

STANFORD - Os avanços tecnológicos alcançados durante a Revolução Verde não apenas garantiram a demanda alimentícia para a população mundial, como também ajudaram a evitar a emissão de 590 bilhões de toneladas métricas de gases do efeito estufa na atmosfera. É isso que afirma um novo estudo divulgado pela Universidade de Stanford no dia 14 de junho e que afirma ainda que a técnica não é tão nociva como se pensava.

O progresso da agricultura intensiva durante a segunda metade do século 20 evitou a emissão de 590 bilhões de toneladas métricas de gases do efeito estufa na atmosfera, como o dióxido de carbono, o metano e óxido nitroso.

A causa do feito seria a série de melhorias no rendimento e na produtividade das técnicas utilizadas nesse tipo de agricultura, o que reduziu a necessidade de converter novas áreas de floresta em terras agrícolas ¿ um processo que envolve a queima das árvores e a consequente emissão de dióxido de carbono e outros gases na atmosfera. Os pesquisadores estimam que, se não fossem esses avanços, a quantidade de emissões causadas pela agricultura nos últimos 155 anos seria entre 18% e 34% maior do que é hoje e igual a um terço do total de emissões mundiais de gases do efeito estufa durante o período da Revolução Industrial, em 1850.

A pesquisa ainda aponta que para cada dólar gasto em pesquisas e desenvolvimento agrícola, foi possível reduzir em um quarto as emissões desses gases ¿ uma taxa de retorno alta se comparada a outras abordagens com foco na redução das emissões.

"Quando comparamos os custos das pesquisas que levaram a essa melhora, percebemos que esse é o método mais barato para prevenir a emissão de gases poluidores", afirmou o co-autor do estudo e pós-doutor do Instituto Carnegie de Stanford, Steven Davis.

Agricultura intensiva x meio ambiente

A descoberta vai contra os críticos do método de cultivo, que o consideram altamente nocivo para o meio ambiente por utilizar uma grande quantidade de combustível e insumos, além de não realizar o processo de rotação de terra.

"Nossos resultados dissipam a noção de que a agricultura intensiva moderna é pior para o ambiente do que uma maneira mais 'antiquada' de cultivo", afirma o autor do artigo descritivo do estudo e pós-doutor do Programa de Segurança Alimentar e Ambiental da Universidade de Stanford, Jennifer Burney.

Segundo o pesquisador, a agricultura é responsável por 12% das emissões causadas pelo homem. Ele afirma que, embora as emissões de gases de efeito estufa provenientes da produção e do uso de fertilizantes tenham aumentado com a intensificação da agricultura, elas ainda são inferiores ao que teria sido gerado com a conversão de florestas em áreas agrícolas. "A intensificação do rendimento diminuiu a pressão para limpar terrenos e reduziu as emissões em até 13 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano", afirma.

Métodos de pesquisa

Para avaliar o impacto da intensificação da produção sobre as alterações climáticas, os pesquisadores compararam a produção agrícola real entre 1961 e 2005, com cenários hipotéticos em que as necessidades mundiais de alimentos foram atendidas através da expansão da quantidade de terra e não pelo aumento dos rendimentos produzidos através da Revolução Verde.

"Menores rendimentos por hectare teria provavelmente significava mais fome e morte, mas a população ainda teria aumentado por causa das taxas de natalidade muito maiores", disse David Lobell, também co-autor da pesquisa e professor assistente em Stanford. "As pessoas tendem a ter mais filhos quando a sobrevivência das crianças é incerta."

Mais produtividade não significa menos terra

Mas apesar dos resultados, os pesquisadores alertam que na basta aumentar a produtividade dos campos para reduzir as emissões de gases poluentes. "Já foi mostrado em vários contextos que os ganhos de produtividade, isoladamente, não acabam necessariamente com a expansão de área plantada", disse Lobell. "Isso sugere que a intensificação deve ser feita de forma conjugada com a conservação e o desenvolvimento¿, afirma.

Eles ainda lembraram que a melhoria da produtividade deve ser um destaque entre as estratégias para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. "O surpreendente é que todos esses benefícios climáticos não foram a principal intenção dos investimentos históricos na agricultura", disse Burney. "Se a política climática recompensasse intencionalmente esse tipo de esforço, poderíamos ter uma diferença ainda maior. A questão daqui para frente é como a política do clima pode ser projetada para conseguir isso", afirma.