Especialistas trazem novidades e técnicas para preservar o cabelo

JB Online

RIO DE JANEIRO - Esta não é uma história sobre como perder os cabelos com dignidade. Muito pelo contrário: é sobre homens jovens como o designer Bruno Guedes Barbosa que, com vinte e poucos anos, olhou para o espelho e levou um susto danado ao perceber uma entrada no meio da cabeça. Ao olhar o álbum de fotos da família e usar seu pai e seu avô como padrão, descobriu uma analogia familiar. Isso porque, infelizmente, está comprovado: a calvície é hereditária e está ligada a sete pares de genes. "Se o homem herda todos os pares, tem maiores probabilidades de ser ainda mais calvo do que aqueles que herdam menos, porque são esses genes que predispõem o processo da calvície", informa a médica Joana Darc Diniz, presidente da Sociedade Brasileira para Estudos do Cabelo e diretora científica da Sociedade Brasileira de Medicina Estética.

Bruno percebeu que, se já estava perdendo cabelo assim tão jovem, quando chegasse aos 30 anos, no seu ápice profissional e social, provavelmente estaria bem pior. Essa constatação cai como um balde de água fria na auto-estima de qualquer homem. "Vivemos em uma sociedade que supervaloriza a juventude. Tem homem que acha que isso influencia até na potência sexual, o que é infundado", afirma Joana Darc.

"No começo, fiquei preocupado. Tinha uma banda de rock e sempre usei cabelo comprido. Mas logo descobri que haviam opções", conta Bruno. Para sua sorte e de outros rapazes que enfrentam o problema, a medicina oferece vários tratamentos eficazes. Eles podem ser preventivos, com o uso de medicamentos, ou definitivos, como o transplante capilar. A escolha depende das características de cada paciente e do estágio em que o problema está. Então, quanto mais cedo se procura ajuda, melhores são os resultados com as terapias mais simples.

Queda livre

É preciso entender que calvície e queda de cabelo são coisas diferentes. A queda pode estar relacionada a problemas como estresse, desequilíbrios metabólicos e até mesmo uso de remédios que fazem com que os cabelos deixem de receber os nutrientes necessários para seu crescimento. "Nesses casos é preciso tratar a causa para que os fios parem de cair e voltem a crescer saudáveis", opina o dermatologista Valcenir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira para Estudos do Cabelo-SP.

A calvície, entretanto, não é a perda de cabelos, mas a sua miniaturização, explica Joana Darc Diniz. Em nosso corpo, existem dois tipos de pêlo: o terminal (grosso, como os do cabelo) e o velus (um tipo de "penugem", como a da região do buço nas mulheres). A miniaturização é exatamente essa passagem do terminal para o velus: eles continuam ali, só que ficam quase imperceptíveis.

Constatada a calvície, é hora de iniciar o tratamento. Para os que têm tendência familiar ou estão identificando as primeiras entradas, terapias à base de tônicos e de comprimidos costumam ser eficazes. Já o transplante é geralmente indicado para os homens que não respondem às terapias clínicas ou quando o estágio da calvície está avançado e não pode mais ser controlado com medicamentos.

Na raiz do problema

O minoxidil é o mais popular e único medicamento tópico contra a queda de cabelo masculina aprovado pela FDA (agência norte-americana de controle dos produtos alimentícios e farmacêuticos). "Com cerca de 30 anos no mercado, o minoxidil não é mais considerado um remédio e, por isso, não precisa de receita", informa Joana Darc. Ele age na terceira fase do ciclo do cabelo, que é justamente a da queda, retardando-a. Mas não interfere nas outras duas que são o nascimento e o crescimento. Como conseqüência, a cabeleira fica mais cheia. "Não significa que nasçam novos fios, os que já existem é que demoram mais tempo para cair", afirma a especialista. Porém, para que o efeito perdure, o uso do produto não deve ser interrompido.

Os pesquisadores ainda não chegaram a uma conclusão definitiva sobre como o minoxidil age, embora alguns teorizem que ele dilataria os vasos sangüíneos do couro cabeludo e, aplicado duas vezes ao dia, faria o cabelo crescer mais longo e forte. Nelson Lee Novick, professor de dermatologia da Escola de Medicina Mount Sinai (EUA), trata vários pacientes aliando o minoxidil ao ácido retinóico, que contém a forma ácida da vitamina A. "Os dois parecem trabalhar em combinação", diz. E mais: o ácido retinóico ajuda a deixar as camadas superiores da pele mais permeáveis, auxiliando na absorção do minoxidil, segundo Novick.

"No entanto, não devem ser manipulados juntos, em um mesmo frasco, porque um interfere quimicamente no outro. E devem ser usados em horários diferentes", adverte Joana Darc Diniz.

No Brasil, uma das alternativas ao minoxidil é o tônico Avicis, do Laboratório Galderma, que tem como princípio ativo o 17-alpha-estradiol, que bloqueia a DHT (dihydrotestosterona), um hormônio que encolhe os folículos capilares. Ele pode ser aplicado duas vezes por dia.

Engula essa

Medicação por via oral e a mais antiga aprovada pela FDA, a finasterida é considerada a primeira droga comprovadamente eficaz para inibir a formação de DHT. Estes comprimidos diminuem - e até revertem, em alguns casos - a progressiva miniaturização dos cabelos que, no final, acaba levando a uma cabeça descoberta.

Segundo Joana Darc Diniz, a finasterida bloqueia a enzima 5-alpha-redutase (que transforma a testosterona da célula do cabelo em DHT) e dá fim aos pêlos geneticamente comprometidos. "É preciso tomar diariamente porque não tem efeito cumulativo." Segundo ela, a dose ideal é de 1 miligrama/dia. "Mais que isso é desnecessário", aconselha, lembrando que, assim como o minoxidil, a finasterida atua como preventivo, principalmente em jovens que ainda não estão calvos. O preço é acessível: manipulado, custa cerca de 30 reais, 30 comprimidos.

Segundo Joana darc, uma opção à finasterida, droga sintética, é o fitoterápico Serenoa repens, derivado de uma palmeira-anã, que também é feito para uso tópico. "Os dois remédios têm a mesma ação, mas, na prática, o fitoterápico traz menos efeitos colaterais", acrescenta a médica.

Terapia a laser

A aplicação de baixo nível de laserterapia é outra opção de tratamento, principalmente para que o cabelo atrofiado volte a ter volume. "Estas máquinas convertem 70% dos folículos do cabelo da fase de repouso (entre o crescimento e a queda) para a fase de crescimento", explica Robert Leonard, fundador e cirurgião-chefe da Associação de Transplante Capilar Leonard (EUA). Ele recomenda um ano de sessões, começando com duas vezes por semana e, ao final, diminuindo para uma vez por mês. Os primeiros efeitos aparecem após três meses. "Por sua ação antiinflamatória, o laser pode ser um bom tratamento coadjuvante, associado à finasterida e ao minoxidil", informa Joana Darc.

Solução definitiva

Se todos os tratamentos anteriores falharem, ainda existe uma saída para o problema: o transplante capilar. Os primeiros relatos são de 1822. Cirurgiões japoneses já usavam a técnica para a reconstrução de áreas afetadas por queimaduras e acidentes. O procedimento passou a ser descrito na década de 50 por Norman Orentreich, já voltado à calvície androgenética - o tipo mais comum de perda de cabelo e que representa o diagnóstico primário na maioria dos candidatos a um transplante capilar. Esta afeta, em algum grau, aproximadamente 20% dos homens na idade de 20 anos, 50% aos 50 anos e 80% aos 80 anos.

O refinamento do transplante capilar teve início na década de 80 com o uso dos micro-enxertos no acabamento da linha frontal. Em meados dos anos 90 surgiu a técnica folicular e a confecção dos enxertos com microscópio. Essa é a técnica mais utilizada atualmente e a que oferece os melhores resultados.

"É preciso desmitificar o transplante capilar. Só quem atende pessoas que sofrem desse problema é que sabe o quanto isso incomoda o homem. Quando o trabalho é malfeito, fica parecendo cabelo de boneca. Mas, bem realizado, através da técnica folicular, que é a mais avançada, o resultado é surpreendente", diz Bedin.

A opinião é compartilhada por Joana darc Diniz. "Se antes o transplante era feito em tufinhos, deixando um aspecto artificial, hoje é feito através de células-tronco totipotentes, que dão origem a um novo fio, deixando a aparência praticamente natural."

A técnica folicular

Ao contrário do que se pensa, os cabelos não nascem fio a fio, mas em agrupamentos chamados de unidades foliculares. A técnica folicular com microscopia consiste em retirar essas unidades (agrupamentos compostos por até quatro fios de cabelo, mais a glândula sebácea e o músculo piloeretor - responsável pela sensação de pêlos arrepiados) de uma área saudável do couro cabeludo, sem comprometê-la, e transplantar para os pontos calvos. A área escolhida para o transplante é determinada: pegam-se as unidades capilares localizadas na região posterior ou lateral do couro cabeludo, próximo à linha das orelhas, e que, geneticamente, não têm propensão a cair.

Durante a cirurgia - realizada com anestesia local e sedação - o médico abre, com agulhas, micro-orifícios e inicia a colocação individual de cada unidade, respeitando a direção e a angulação dos fios pré-existentes, para reproduzir a distribuição padrão do couro cabeludo e garantir a naturalidade. "Antes, o procedimento era feito por bisturi, em tufos que ficavam concentrados em um só lugar, deixando espaços brancos e o couro irregular. Hoje, não deixa sequer cicatriz", observa Joana Darc, que tem como uma de suas especialidades a cirurgia plástica. Na manhã seguinte à cirurgia o paciente retorna à clínica para a lavagem do couro cabeludo e retoma a vida normal. O cabelo transplantado cai após um mês, voltando a nascer em três. E, em cerca de oito meses o resultado final aparece.

Os fios de cabelo podem ser transplantados curtos (de 1 a 2 milímetros) ou compridos (entre 6 e 7 centímetros). Segundo a cirurgiã, o resultado é o mesmo. No entanto, o transplante do cabelo comprido, apesar de ser mais trabalhoso devido ao embaraçamento, pode diminuir a ansiedade do paciente, que no dia seguinte já visualiza os resultados. "Os fios menores são mais fáceis de manusear. Mas o processo é o mesmo e os fios, após um mês, caem para crescerem, com a velocidade de 1 a 1,5 centímetros ao mês, definitivamente."

A cirurgia de transplante capilar não tem uma idade ideal para ser realizada: tanto pode ser indicada para um homem com 25 anos, como para um de 60. Mas o melhor, explica Joana Darc, é que seja feita a partir dos 40 anos, quando se tem um melhor quadro da extensão da calvície.

O procedimento, diz a médica, é bastante seguro: "É superficial, sistêmico, só trabalha a pele." Para ela é uma das poucas intervenções em que não se corre o risco de errar. " O máximo que pode acontecer é não nascer o cabelo, mas não temos relatos sobre isso", completa.

Já os medicamentos podem ocasionar uma perda da libido em aproximadamente 1,5% dos casos. Mas, fique frio: o mesmo resultado foi registrado nos estudos com placebo. E basta parar a medicação para reverter o quadro. Aliás, o tratamento clínico é normalmente aliado ao tratamento cirúrgico, para a obtenção de melhores resultados.

Boa notícia para os brasileiros: aqui, o transplante capilar sai mais barato em relação a outros países. Enquanto nos Estados Unidos, referência na área, o procedimento custa uma média de 20 mil dólares, no Brasil sai pela metade do preço.

CABELOS EM QUEDA

" Perda repentinaO gatilho pode ser emocional ou trauma físico, que faz o cabelo parar de crescer e cair. "Imagine ficar careca da noite para o dia", diz Jessie Cheung, professor-assistente de dermatologia da escola de medicina da Universidade de Nova York (EUA). À medida que seu corpo e sua mente se recuperam, os cabelos voltam a crescer.

" Perda contínua

Os folículos de cabelo precisam de nutrientes para manter um rápido crescimento. Se você começar a se descabelar mais do que o normal durante dois ou três meses sem interrupção, preste atenção em sua alimentação. Para repor os nutrientes necessários coma mais brócolis, espinafre e ovos. Também tome um suplemento vitamínico diário, como Centrum ou Stresstab.

" Estilo coroinha

Um buraco do tamanho de uma moeda na parte de trás da cabeça sinaliza alopecia areata. O catalisador continua desconhecido, mas estresse e herança genética podem ser os culpados, diz Kevin McElwee, professor-assistente de dermatologia da Universidade da British Columbia, no Canadá. Procure um especialista para diagnosticar o caso e prescrever o medicamento correto.

" Deu branco

Você provavelmente tem tinea capitis, uma infecção causada por fungos. (É como ter pé-de-atleta na cabeça.) O seu corpo combate a infecção com uma onda de células brancas sangüíneas que danificam os folículos e causam a queda. Tente um xampu antifungicida comprado em farmácia. Se não der resultado, procure um médico.