Jornal do Brasil
RIO - A principal proposta que Austrália havia preparado para sua política de mudanças climáticas foi rejeitada ontem pelo parlamento do país. O projeto de lei fixava uma meta de redução da emissão dos gases do efeito-estufa em 25% até 2020, comparando com os níveis de 2000, e também estabelecia um mercado de carbono na nação que hoje é uma das que mais exportam carvão no mundo e está entre os países com as maiores emisssões de CO2 per capita do planeta.
O primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, esperava que a lei fosse aprovada antes da realização da conferência do clima em Copenhague, que começa na segunda-feira e discutirá a possibilidade de um acordo global a respeito da redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa. O texto serviria para substituir o Protocolo de Kioto, que expira em 2012.
É a segunda vez que o senado autraliano rejeita o plano climático proposto pelo governo. Os esforços da oposição para barrar a aprovação foram realizados principalmente pelo Partido Liberal, que chegou a trocar sua liderança, afastando o senador Malcolm Turbull, que já tinha dito que apoiaria o projeto de lei. Em seu lugar, foi eleito outro senador, Tony Abbott, que se opõe ao projeto. Alguns céticos em relação ao aquecimento global dizem que a lei prejudicaria a economia australiana.
A vice-primeira-ministra australiana, Julia Gillard, disse que o governo reapresentará o projeto, mas apenas no ano que vem.
Diplomatas europeus afirmaram ontem que China, Índia, Brasil e África do Sul se opõem ao estabelecimento de uma meta de redução pela metade das emissões de CO2 até 2050 na conferência em Copenhague.
Ainda segundo os diplomatas, um documento dos quatro grandes países em desenvolvimento diz também que eles são contrários a um pico das emissões até 2020, e a um limite de no máximo 2 Cº para o aquecimento global acima da temperatura da era pré-industrial.
Muitos países em desenvolvimento apoiam as metas rejeitadas pelos quatro países.