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LONDRES - Nos oceanos de uma lua a centenas de milhões de quilômetros do sol, algo complexo pode estar vivo neste momento. Embaixo da crosta gelada da lua Europa, de Júpiter, acredita-se que haja um oceano global de até 160 quilômetros de profundidade, sem terra à vista na superfície.
Esse oceano extraterrestre está atualmente sendo alimentando com oxigênio a níveis mais de 100 vezes maiores do que modelos anteriores sugeriam, de acordo com uma nova e instigante pesquisa.
Essa quantidade de oxigênio é suficiente para manter mais do que formas de vida microscópicas: pelo menos três milhões de toneladas de criaturas semelhantes a peixes podem teoricamente viver e respirar em Europa, afirma o autor do estudo, Richard Greenberg, da Universidade do Arizona, em Tucson.
- Não há nada dizendo que existe vida lá agora - disse Greenberg, que apresentou seu trabalho mês passado em um encontro da Divisão para Ciências Planetárias da Sociedade Astronômica Americana. - Mas sabemos que existem condições físicas para sustentá-la - enfatizou.
Na verdade, com base no que sabemos sobre a lua jupiteriana, parte do leito marítimo de Europa deve se parecer muito com os ambientes ao redor das chaminés hidrotérmicas do oceano profundo, afirma o ecologista molecular de oceano profundo Timothy Shank.
- Ficaria chocado se não existisse vida em Europa - disse Shank, da Instituição Oceanográfica Woods Hole, que não esteve envolvido no estudo. Apesar das novas e promissoras estimativas, é cedo demais para ir além das especulações sobre como a vida em Europa pode ter evoluído. Um olhar mais próximo, talvez por meio de uma missão da Nasa em desenvolvimento, será necessário para dizer exatamente como as substâncias químicas estão distribuídas em Europa e como a história geológica da lua pode ter contribuído para as chances de vida no local.