Epidemias: Bairro da Saúde abriga mostra francesa adaptada no Brasil

Luisa Côrtes, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Quantas pessoas no mundo, ao longo da história, já foram atingidas por alguma epidemia? Peste negra, gripe espanhola, doença de Chagas, tuberculose, hanseníase e dengue são exemplos destas síndromes. Com o surto da mais nova pandemia, a gripe suína, o mundo foi alertado para a constante possibilidade de eclosão das epidemias.

Tanto os novos surtos epidêmicos, como as síndromes que fizeram vítimas durante toda a história, estão presentes na exposição Epidemik , que chega ao Rio nesta terça-feira, dia 20, no Centro Cultural da Ação e da Cidadania, no bairro da Saúde. A mostra vai acontecer simultaneamente no Rio de Janeiro e em Paris, onde já recebeu mais de 300 mil pessoas. O evento, trazido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a indústria farmacêutica Sanofi-aventis, faz parte da programação cultural do Ano da França no Brasil e conta com um acervo histórico e jornalístico.

O destaque do evento será um grande jogo eletrônico interativo em que o público poderá se transportar para diferentes realidades e enfrentar situações de crises epidêmicas em diversos períodos históricos.

Queremos promover o conhecimento sobre as epidemias, os impactos, os riscos e as formas de prevenção. Mas queremos aproximar a população das perspectivas humanas, sociais. Às vezes nós ouvimos falar que uma doença atingiu 500 mil pessoas do outro lado do mundo e não temos ideia de como é viver esta realidade e superá-la diz Gisele Capel, curadora do evento.

A mostra se destaca também por evitar a linguagem pedante de exposições científicas.

Vamos passar informações de forma lúdica, através do jogo, de depoimentos de sanitaristas, de sobreviventes das epidemias e de autoridades diz a coordenadora da Epidemik, Cristina Moscardi.

O jogo traz cenários de surtos epidêmicos, conhecidos ou fictícios, em um grande tabuleiro eletrônico montado no chão. O público se transforma em peças da brincadeira e pode transitar entre as seguintes realidades: gripe aviária em Cingapura; ataque biológico terrorista em Nova York; malária e Aids no continente africano; e dengue no Rio de Janeiro.

Outra síndrome destacada na mostra é a doença de Chagas, identificada há um século.

Foi um pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, que identificou a doença, que acabou sendo chamada pelo seu sobrenome. Também foi Chagas que descobriu o agente causal e o inseto transmissor, o barbeiro. Isso foi muito importante, inédito, e já faz 100 anos. É importante o público saber essa história declara o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha.

Gadelha acredita que mesmo com os avanços tecnológicos e com a maior vigilância de especialistas e governos, o risco de novas epidemias permanece, já que elas estão presentes desde o início da sociedade, quando surgiu a aglomeração.

Na sociedade globalizada, há o fluxo constante de pessoas, os problemas ambientais, a degradação, a cidade tomando o espaço da natureza. Isso tudo pode acarretar novas doenças que atinjam os homens. Doenças que, antes, só causavam danos aos animais. A população tem que ter essa consciência sanitária e deve exigir políticas públicas de saúde acredita Gadelha.

A mostra é gratuita e vai até 24 de novembro, de terça-feira a domingo, das 8h30 às 19h30. O local da exposição é o Centro Cultural da Ação e da Cidadania, na Avenida Barão de Tefé, 75, Saúde.