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WASHINGTON - Os trajes espaciais usados pelos astronautas da Apollo 11 eram capazes de suportar os rigores de uma missão lunar, como temperaturas que variam de 120 graus para até -150 graus, mas hoje sofrem uma gradual desintegração aqui mesmo na Terra. E, de acordo com o site Spiegelonline, não há nada que se possa fazer para deter a sua deterioração.
- Três fatores têm causado o problema: luz, umidade e temperatura -afirma Cathleen Lewis, curadora do Smithsonian Air and Space Museum em Washington, Estados Unidos, onde os trajes estão expostos.
Os verões úmidos na capital dos EUA fazem mais dano do que o vácuo ou as oscilações drásticas de temperatura aos quais eles foram expostos na Lua. A borracha sofre corrosão, as peças metálicas estão enferrujando e partes plásticas estão se desfazendo.
As roupas são constituídas de 21 camadas de diferentes materiais. Mais próximo ao corpo está um macacão com tubos plásticos para circulação da água. A próxima camada é feita de nylon com fendas para ventilação, seguido por uma roupa com muitas camadas de diversos materiais sintéticos para garantir a pressurização. A cintura, joelhos e cotovelos têm reforços com espuma de borracha. Os astronautas são protegidos do calor por uma camada de Politereftalato de etileno (PET) combinado com materiais contra fogo. O revestimento externo é feito de teflon branco.
Os trajes têm também peças metálicas, como fechos feitos de cobre e conexões de plástico para canos. Um outro componente que não fazia parte do desenho é a poeira lunar. - As roupas estão incrivelmente sujas. A poeira tornou-se profundamente enraizada no tecido -é uma poeira muito, muito dura - disse.
Mas o principal problema são as peças plásticas, porque são corroídas ao longo do tempo, se expostas ao ar e luz ultravioleta. O plástico mais utilizado nas roupas espaciais é o Policloreto de Vinila), mais conhecido como PVC. Com ele são combinados amaciantes para tornar o material flexível o suficiente para se trabalhar com ele. O problema é que ao longo do tempo, o agente se infiltra amolecendo o PVC e tornando-o frágil e pegajoso. - Ele se liquefaz. E os amaciantes se grudam a outras camadas e não podem ser removidos facilmente - afirma a curadora.
Os componentes metálicos, como o fecho, bem como as peças de ligação sobre o pescoço e para as luvas são um outro problema. A umidade relativa do ar, por si só, os enferruja. - E é preciso não esquecer que Armstrong, Aldrin e Collins suavam bastante em suas roupas - disse Lewis. O sal do suor é agressivo e por 40 anos vem contribuindo para a corrosão do metal.
Não muito pode ser feito para travar a progressiva desintegração. - Mantemos a umidade, a luz e níveis de temperatura adequados nas redomas de vidro. Mas nós temos de expor as roupas abertas para permitir que o ar circule por elas. Caso contrário, as roupas criam um microclima que provocaria mais rapidamente a corrosão - explica. Como resultado, o capacete com o seu revestimento de ouro nas viseiras e as luvas com dedos de silicone têm de ser exibidos separadamente.
Não há um método único para a conservação de roupas espaciais porque cada missão tinha diferentes trajes feitos de materiais diferentes. - As roupas mais antigas do programa Mercury, por exemplo, tinham inscrições em metal. Isso está comendo no tecido - disse Lewis.
O maior problema das roupas da Apollo 11 é que elas estão expostas porque todos querem vê-las. Os trajes de nenhuma outra missão passaram tanto tempo submetidos à ação da luz e ao ar das salas de exposições como os usados por Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins. A corrosão não pode ser parada. - Só podemos tentar amenizar - diz Lewis.