Isabella Ballalai, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Como já era esperado, temos hoje duas gripes convivendo no país: a comum e a chamada suína. Já não há como se correr atrás do elo perdido ou seja, do possível difusor da doença. Não é preciso ter viajado para o México ou para a Argentina, nem ter contato com pessoas que viajaram a esses países para contrair o vírus A (H1N1). A tendência natural é que ele se dissemine mais pelo país. Assim, temos duas gripes e uma pergunta: o que fazer?
Os sintomas das duas gripes são os mesmos: febre, dor no corpo, coriza, tosse, dor de cabeça, problemas gastrointestinais em alguns casos e prostração. Entretanto, quem apresentar esses sintomas não deve entrar em pânico e correr para o hospital, pois essa atitude só levará a um congestionamento cada vez maior das emergências públicas e privadas o que já vem acontecendo.
Primeiramente, é preciso esclarecer que a gripe suína não deve receber uma atenção diferenciada daquela que é dada ou que deveria ser dada à gripe comum. Tem se observado que as duas têm apresentado o mesmo índice de letalidade, em média 0,45%. O tratamento de suporte das duas doenças é igual: administração de antitérmico, hidratação e repouso. Os antivirais só devem ser administrados sob prescrição médica.
A atenção dos indivíduos e dos profissionais de saúde não deve estar focada em qual foi o tipo de vírus contraído o A(H1N1) ou o influenza sanzonal mas sim nos sintomas que podem indicar possíveis complicações da gripe, uma vez que elas podem levar à necessidade de tratamentos específicos e até mesmo a internações. Uma febre que não cessa mesmo com o uso de antitérmico dor no peito e falta de ar são os três principais sinais de alerta que devem ser observados e que indicam a necessidade de procurar atendimento médico.
A atenção deve ser redobrada em grupos que apresentam maiores riscos de complicações de gripe, como por exemplo: crianças com menos de cinco anos, gestantes, indivíduos com mais de 60 anos, hipertensos, cardiopatas, pessoas com problemas pulmonares, diabéticos e imunodeprimidos.
Cabe destacar que o medo do vírus A(H1N1) trouxe um único aspecto positivo: a população tem compreendido cada vez mais a importância de prevenir a gripe comum. Dessa forma, começam a ser valorizadas as iniciativas do Ministério da Saúde em vacinar pessoas com mais de 60 anos e doenças crônicas; da Sociedade Brasileira de Pediatria, em recomendar a vacinação de crianças com menos de cinco anos, e da Sociedade Brasileira de Imunizações, em recomendar a vacinação de adultos e jovens. Há uma procura cada vez maior pela vacinação contra a gripe comum, o que é um dado bastante satisfatório.
Profissionais de saúde devem tomar a vacina e podem fazê-lo gratuitamente para que a situação de congestionamento dos hospitais não se agrave ainda mais pela falta de funcionários. Dessa forma, sem pânico, mas com um olhar atento, podemos enfrentar as duas doenças.
* vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações