Sheila Machado, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Calcula-se que 2,5 bilhões de pessoas vivam em regiões propícias ao desenvolvimento do Aedes aegypti: zonas tropical e subtropical com chuva abundante e calor. A relativa uniformidade de ambiente de reprodução do mosquito é o que torna o modelo da Costa Rica aplicável em outros países do Caribe e da América Latina, incluindo o Brasil. A equipe da Universidade de Miami já está trabalhando num projeto para fazer as medições necessárias em duas cidades-piloto: Manaus e Recife.
O Brasil é influenciado pelas temperaturas de superfície dos oceanos Atlântico e do Pacífico. Precisamos usar os índices de temperatura do Atlântico para desenvolver boas previsões para o país.
Calibragem
O estágio atual da pesquisa no Brasil está na coleta de informações de autoridades sanitárias sobre casos e incidência o número de casos reportados para cada 100 mil habitantes. Estes dados permitirão a calibragem dos parâmetros do modelo brasileiro cada situação urbana terá o seu.
Recife terá seu modelo, o Rio também, todos os centros urbanos afetados pela dengue. Nossa pesquisa pode até indicar a existência de características comuns a todos, o que abre possibilidade para a existência de um modelo nacional . Mas desconfiamos que, pelo fato de o Brasil ser tão grande e geograficamente diverso, serão necessários modelos para várias cidades.
Um exemplo já conhecido de metrópole que não funcionaria num eventual modelo nacional é Porto Alegre, por estar em área temperada subtropical, com clima e temperatura do mar diferentes das condições nos trópicos , explica Fuller.
No entanto, neste primeiro estágio, a pesquisa se concentrará mesmo no Recife e em Manaus.
O Recife é uma enorme cidade litorânea, com população grande. Manaus tem tanta gente quanto o Recife, mas fica no interior, o que é a torna um bom caso de estudo. Além disso, tem ligações rodoviárias e de comércio com Boa Vista (Rondônia) e Georgetown (Guiana), o que facilita a entrada de vírus do Caribe, cepas diferentes das que afetam o resto do Brasil.
O Rio, que tem sofrido fortes epidemias desde 1986, é um caso similar ao Recife: metrópole litorânea e com favelas, bem conectada ao resto do país, o que facilita a propagação do vírus inclusive porque o mosquito viaja em cargas de alimentos dos caminhões. Num primeiro momento, até ganhar um modelo próprio, os cariocas se beneficiariam das previsões da capital pernambucana.
Futuro
Mas o principal motivo de a pesquisa se concentrar no Norte e no Nordeste é a apostas dos cientistas de que as próximas epidemias afetarão principalmente as cidades da Amazônia Legal.
Haverá, no futuro, mais condições para epidemia em Manaus, por exemplo, como as que víamos nas cidades costeiras de antigamente: interconectividade, movimento de pessoas e trocas comerciais, tempo quente e chuvoso diz Fuller. Esperamos que nosso modelo preveja os surtos e se torne uma ferramenta útil para alertar autoridades sanitárias e a população.