Uso de maconha com frequência aumenta o risco de câncer de testículo

Jornal do Brasil

WASHINGTON - O uso frequente ou em longo prazo de maconha pode dobrar os riscos de um usuário desenvolver câncer de testículo, segundo um estudo do Fred Hutchinson Cancer Research Center, nos EUA.

O estudo, publicado na revista Cancer, entrevistou 369 pacientes de câncer de testículo e concluiu que o uso frequente da droga dobrava o risco de desenvolver a doença em comparação com os homens que nunca fumaram maconha. Resultados sugerem ainda que a maconha pode estar associada à forma mais agressiva deste câncer.

É o primeiro estudo a analisar, especificamente, a relação entre o uso de maconha e câncer de testículo, segundo a BBC. A doença corresponde a 5% dos casos de tumores malignos entre homens, e afeta entre 3 a 5 indivíduos entre 100 mil.

Ele é mais comum entre homens com idades entre 15 e 50 anos e tem alto índice de cura, principalmente se for diagnosticado no estágio inicial. A incidência na Europa e na América do Norte é bem mais alta do que em outras regiões do mundo, e vêm aumentando sem nenhuma razão aparente.

Dentre os fatores conhecidos da doença estão ferimentos nos testículos, histórico familiar, ou a criptorquidia (testículo que não desce para a bolsa escrotal durante a infância).

Método

No estudo, foram entrevistados 369 homens, com idade entre 18 e 44 anos, que haviam sido diagnosticados com câncer de testículo.

Mesmo depois de ajustar os números levando em consideração outros fatores, o uso da maconha permaneceu como um claro fator de risco para o câncer de testículo. O estudo indicou que fumar maconha aumenta em 70% o risco e que fumar com frequência ou desde a adolescência aumenta o risco em 100% em comparação com os que nunca fumaram.

Segundo Janet Daling, uma das autoras do estudo, na puberdade os homens estariam mais vulneráveis a fatores ambientais, como a ação de substâncias químicas.