Bactérias do corpo humano causam doenças, segundo pesquisa

Portal Terra

NOVA YORK - Quem é o culpado pelo crescimento das doenças infecciosas? Stanley Falkow, microbiologista da Universidade de Stanford, costuma responder à pergunta. -O inimigo está conosco-, diz ele, salientando que ser humano carrega microorganismos consigo há milênios. As informações são do jornal americano USA Today.

Exemplo da teoria do estudioso são bactérias existentes na atmosfera, que vivem e se proliferam através de locais que vão desde condicionados de ar e até a banheiras jacuzzis. Falkow é uma das melhores pessoas que pode falar sobre isso. Ele dedica mais de meio século ao tema, estudando o desenvolvimento do homem e dos micróbios.

Entre outras coisas, ele explica, por exemplo, como as bactérias sobrevivem ciclicamente a novos antibióticos e mantêm seus genes resistentes a novos medicamentos. Como resultado de seus estudos, uma das suas mais recentes honrarias conquistadas foi o Prêmio Lasker-Koshland de Descobertas Científicas, entregue em Nova York em setembro do ano passado, premiação que presenteou o pesquisador com US$ 300mil e é conhecido como a versão americana do Prêmio Nobel.

-Eu considero ele o pai da investigação sobre a utilização de mecanismos de germes que causam doenças-, considera Peter Hotez, presidente do Instituto Sabin de Vacinas da Universidade de George Washington. Sobre o interesse que tem no assunto, Falkow destaca: -Se você for um bacteriologista como eu, você vê as pessoas como uma plataforma para o transporte de bactérias ao redor-, diz ele.

David Relman, um ex-aluno de Falkow, da Universidade de Stanford, comenta: -Ele sempre teve mais carinho por micróbios do que por pessoas. Os micróbios são mais criativos, vivem melhor em população, evoluem mais rapidamente, se sacrificam uns pelos outros e se adaptar a novos ambientes-, conclui.

Durante décadas, destaca Relman, muitos pesquisadores ignoraram que bactérias causam doença. Falkow, que era fascinado pelo assunto, acabou tendo suas teorias abraçadas por outros cientistas anos depois. Ele explica que seu fascínio pelo tema começou quando ele tinha 11 anos, após ler um livro de Paul de Kruif intitulado Microbe Hunters, que trata de histórias de investigadores como Louis Pasteur e outros mistérios científicos.

-As bactérias são importantes em todas as facetas da vida, envolvidas com coisas desde como fazer chucrute até com o que se passa na terra-, conta ele. -Fiquei encantado em saber como certas bactérias e com a descoberta de organismos que causam doenças-, complementa.

Em seguida, ele ficou obcecado por descobrir o que distigue bactérias nocivas de bactérias benéficas à saúde, o que o fez incomodar muitos professores nos tempos da faculdade. Durante seus estudos, ele abriu a pesquisadores a questão sobre como desenvolver ferramentas necessárias para que fosse possível se aprofundar no desenvolvimento dos genes que dão vida aos germes.

Falkow fez uma série de importantes descobertas. Uma das suas primeiras descobertas foi inovadora, quando ele desvendou como pacotes de materiais genéticos são capazes de desenvolver um gene que torna a bactéria resistente à ampicilina - uma penincilina semi-sintética - uma explicação para o crescente problema da resistência aos antibióticos, que surgiram quase tão rapidamente quanto a penincilina começou a ser utilizada.

Posteriormente, Falkow revelou que a virulência de certos genes também pode também migrar de um microrganismo para outro. -O organismo que provoca a difteria é uma falha totalmente benigna que pode se instalar na garganta de uma pessoa durante 100 anos. Um gene transportado por um vírus que causa apenas a difteria pode, portanto, transformar-se em um virulento organismo, dando-lhe o poder de produzir toxinas-, explicou.

Para alguém que lida com questões tão importantes, Falkow é "muito irreverente-, diz Ralph Isberg, outro ex-aluno. -Ele não leva-se demasiadamente a sério, ou qualquer outra pessoa, para esse assunto.- Falkow diz que pode ser a influência de sua mãe, que ainda pergunta: "Ainda com os germes, Stanley?"