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Psicólogos de Berlim atendem virtualmente vítimas de guerras no Iraque

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Jornal do Brasil

BERLIM - A invasão liderada pelos Estados Unidos no Iraque, em 2003, e suas consequências violentas e caóticas deixaram não apenas sangue, morte e destruição, mas também profundas cicatrizes psicológicas nas pessoas. Agora, psicólogos de um centro de Berlim estão oferecendo terapia pela internet, um meio de natureza impessoal que estimula as vítimas de estupro ou sequestro a se abrir mais do que conseguiriam em um divã.

O serviço gratuito Interapy começou na primavera de 2008 com cerca de 20 vítimas com síndrome de estresse pós-traumático já tratados e aproximadamente 30 outros pacientes que ainda estão recebendo cuidados.

Christine Knaevelsrud, psicóloga do Centro para o Tratamento de Vítimas de Tortura de Berlim (BZFO, sigla em inglês), disse que 250 vítimas já buscaram o serviço, principalmente do Iraque mas também do Sudão, da Síria ou de territórios palestinos.

Algumas vítimas foram estupradas, algumas sequestradas. Outras foram maltratadas durante a prisão ou viram corpos mutilados disse Christine.

O BZFO primeiro estabeleceu um centro de terapia em Kirkuk, no norte do Iraque, em 2005. A procura pelo serviço foi tão grande, que os planos agora são inaugurar mais dois centros, em Erbil e Suleimaniyah.

No entanto, este cuidado para o relativamente calmo norte do país, deixa os mais necessitados em outras áreas mais voláteis e sozinhos com seus traumas, Christine explicou.

Então, nos perguntamos: o que mais podemos fazer? disse a psicóloga. A resposta? Interapy.

O projeto, criado em conjunto com a Universidade de Zurique, pega inspiração em tratamentos concebidos nos Países Baixos.

O site da internet é financiado pelo ministro de Relações Exteriores da Alemanha, os gastos com o treinamento de nove terapeutas é arcado pela Fundação Heinrich Boell e os custos recorrentes são pagos pela associação humanitária Misereor.

O tratamento consiste em três estágios. O primeiro passo, o mais difícil, é para a vítimas escreverem em quatro e-mails o que elas passaram, viram e sentiram durante suas experiências para encarar o trauma.

De acordo com Christine, muitos pacientes não conseguem completar esses e-mails, param exatamente no momento-chave, onde o real problema tomou lugar.

No entanto, ela acrescentou, a natureza impessoal da internet ajuda as vítimas a enfrentarem suas difíceis experiências.

A internet é um método tranquilo para muitas vítimas porque elas não precisam conversar com alguém específico, nem sentar de frente para alguém informou Christine.

O segundo estágio consiste em escrever quatro cartas para um amigo imaginário que sofreu o mesmo trauma. Isso ajuda o paciente a se libertar de qualquer sentimento de culpa. E, finalmente, o paciente é encorajado a escrever duas novas cartas, uma para ele e outra para a pessoa que cometeu as atrocidades, como se dissesse você não tem mais importância na minha vida .