Cientistas se surpreendem ao descobrir 'alimentos na moda' há 2 mil anos a.C

Pesquisadores analisaram resíduos encontrados na dentição de corpos achados em sítio arqueológico

foto: Pixabay
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Em uma pesquisa realizada no sul de Levante (Mediterrâneo), cientistas revelaram que civilizações antigas da região consumiam alimentos básicos, como cereais, mas também alimentos inesperados, como soja e banana.

Examinando o cálculo dental de pessoas que habitaram a região há dois mil anos a.C., pesquisadores descobriram que sua alimentação básica era fundada em alimentos como gergelim, tâmaras e cereais. Porém, se surpreenderam ao encontrar alimentos inesperados, como açafrão, banana e soja.

Durante o estudo, os pesquisadores analisaram pequenos vestígios de alimentos e proteínas preservados no cálculo dentário de 16 indivíduos encontrados no sítio arqueológico de Tel Megiddo, datado da Idade do Bronze, e no sítio arqueológico de Tel Erani, datado do início da Idade do Ferro, onde hoje se encontra Israel.

Através da pesquisa, foi possível comprovar que especiarias exóticas, frutas e óleos da Ásia chegaram ao Mediterrâneo antes do que se imaginava.

Os pesquisadores conseguiram identificar fitólitos, que são partículas microscópicas de sílica formadas no tecido de plantas consistentes como trigo, painço e tamareira, conforme os resultados publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Science.

Além dessas partículas, foram encontradas proteínas alimentares de sementes oleaginosas, como o gergelim e a soja, de frutas como a banana e especiarias, como o açafrão.

"No cálculo dentário de um indivíduo de Megiddo foram encontradas proteínas de açafrão e soja, enquanto em outro indivíduo de Tel Erani foram identificadas proteínas de bananas. Os três produtos provavelmente chegaram ao Levante através do sul da Ásia", segundo o arqueólogo e coautor do estudo dr. Philipp Stockhammer.

As bananas foram originalmente domesticadas no Sudeste Asiático, onde eram utilizadas desde o quinto milênio a.C. e chegaram à África Ocidental quatro mil anos depois, porém, pouco se sabe sobre seu comércio ou uso, segundo Stockhammer.

Os resultados da pesquisa fornecem informação crucial sobre a propagação da banana em todo o mundo, nenhuma evidência arqueológica ou escrita havia sugerido uma disseminação da fruta de forma tão precoce na região.

"Acho espetacular que os alimentos tenham sido trocados por longas distâncias em um ponto tão antigo da história", comentou Stockhammer.(com agência Sputnik Brasil)