Dinamarca descobre que morte da indústria de visons é 'boa notícia' para natureza

A morte da indústria dinamarquesa dos visons após a exterminação massiva dos animais para conter a propagação da mutação do coronavírus é um benefício evidente para o meio ambiente, revelaram pesquisadores do país

Agência Lusa
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Com a suspensão da criação de visons, as emissões de cerca de quatro mil toneladas de amônia das fezes dos animais vão desaparecer a cada ano, calcularam os especialistas.

"A criação dos visons foi o maior ramo de produção na agricultura dinamarquesa, [os proprietários das fazendas] foram responsáveis por entre cinco a dez por cento do total das emissões de amônia na Dinamarca. Então, a maior parte [das emissões] está desaparecendo", contou o consultor-chefe da Universidade de Aarhus e gestor de projetos para os inventários de emissões dinamarquesas, Ole Kenneth Nielsen, em entrevista à Danish Radio.

"Há realmente muitos animais e, por conseguinte, uma grande quantidade de excrementos dos mesmos. É por isso que contribuiu de forma tão significativa para o descarte global", explicou o especialista.
A mudança na quantidade de emissões vai beneficiar principalmente o Condado de Jutland, isto é, uma área famosa por suas charnecas, uma vez que o alto teor de amônia no ar dificultou o crescimento de musgo e líquen.

"Não há nada de musgo e líquen, que na verdade pertencem à charneca, e que estariam aqui se não fosse o excesso de nitrogênio no ar", disse o pesquisador e consultor sênior do Departamento de Biociências da Universidade Aarhus, Jesper Bak, à Danish Radio. Ele chamou a situação atual de "profundamente séria", tanto financeiramente como psicologicamente, mas apontou para os benefícios ambientais.

Adicionalmente, as emissões limitadas de amônia foram bem acolhidas por Maria Reumert Gjerding, presidente da Sociedade Dinamarquesa para a Conservação da Natureza. "Muitas pessoas estão em situação difícil e perderam bastante. Mas, do ponto de vista de natureza, são boas notícias", disse ela.

A estratégia de limitação das emissões de amônia causada pelos visons começou muito antes de pandemia. Porém, as medidas já não são necessárias uma vez que as fazendas de visons dinamarquesas exterminaram mais de 15 milhões de animais por receio de que a mutação do coronavírus pudesse interferir no processo de vacinação.

Após a descoberta da mutação do vírus em visons, o país decidiu exterminar todos os visons das fazendas. Sendo consideravelmente doloroso para os criadores dos animais, o processo foi agravado por acidentes inesperados como as carcaças de visons inchadas que se desenterraram, as quais o governo decidiu exumar e incinerar por razões de segurança. (com agência Sputnik Brasil)