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Personagens de novelas brasileiras são mostradas pela São Clemente

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Primeira escola a se apresentar nesta segunda-feira de Carnaval, a São Clemente leva para a Sapucaí personagens de novelas brasileiras, no enredo “Horário nobre”. Sassá Mutema, Odete Roitman, Escrava Isaura, o Rei do Gado, e o casal Charlô e Otávio, da novela "Guerra dos sexos”, vão estar presentes em escultura no último carro da escola. Os ritmistas da agremiação estão fantasiados de Crô, a divertida personagem que era secretário de Tereza Cristina, na novela global “Fina estampa”.

Como diz a sinopse do enredo: novela e desfile de escola de samba, dois triunfos da brasilidade que rodam o mundo inteiro, como gloriosas narrativas artísticas e populares, rituais que constroem a identidade do povão brazuca.

"De folhetim em folhetim, há quase cinquenta anos, ouve-se ''silêncio no estúdio, gravando''. Pois agora vai ser ''barulho no estúdio, sambando! Valerá a pena me ver de novo.Tem abertura, ações paralelas, história central. A trama novelesca é um repertório de clichês, porque a vida sempre imita a arte deste espelho mágico: o golpe da barriga, a criança prodígio, a mocinha sofredora que vive sorrindo, metade do elenco trabalhando numa empresa familiar, e na beira da morte o segredo é revelado – a rica enjoada é teúda e manteúda, o bofe é tábua que leva prego, o tipo que parecia honesto é o maior corrupto". 

"O Brasil e um Bataclã, Sucupira é Brasília e Odorico Paraguassú mora no Congresso Nacional! João Coragem ficou com qual das três Glória Menezes? Ravengar tem caso com a Rainha Valentine? Gabriela não podia ter traído Seu Nacib; Ih, a Perpétua é Careca, Tieta arrancou-lhe a peruca; Natasha era uma vampira muito gostosa, e Isaura, uma escrava que nasceu branca. E pela última vez, quem matou a praga da Odete Roitman ou o querido Salomão Hayala? É que sem um bom vilão não tem namoradinha do Brasil que sobreviva, porque maldade e bondade são irmãs gêmeas (tipo Rute e Raquel) deste universo verossímil, ainda que nele, a gorda Dona Redonda possa explodir, e muita gente voltar da morte".

"O último capítulo é um frisson nacional, a opinião pública mobilizada com todo Brasil parado diante da televisão: vilão castigado (morre, enlouquece, se arrepende ou foge) e cena de casamento do mocinho com a heroína (só podem ficar juntos no final). Todo brasileiro tem um pouco de autor de dramalhão, até desconfia como termina, mas isso não tem a menor importância. As cenas da próxima novela mostram que na segunda-feira começa tudo de novo, e não percam o primeiro capítulo. Somos os filhos de Janete e Dias, sobrinhos de Ivani".

FICHA TÉCNICA:

Enredo: "Horário Nobre"

Diretor de Carnaval: Ricardo Gomes

Carnavalesco: Fábio Ricardo

Diretores de Harmonia: Marquinhos e Fábio Harmonia

Intérprete: Igor Sorriso

Mestres de Bateria: Gilberto Almeida e Caliquinho

Rainha de Bateria: Bruna Almeida

Mestre-Sala: Fabrício Pires

Porta-Bandeira: Denadir

Comissão de Frente: Cláudia Mota

   

HISTÓRIA:

Acompanhando o interesse pelo esporte, no ano de 1951, jovens do bairro de Botafogo participavam de uma equipe nas cores azul e branco chamada São Clemente Futebol Clube, em homenagem à rua em que moravam. Frequentemente faziam excursões para jogar em outras comunidades. Numa dessas excursões, com destino a Bananal - RJ, o grupo se reuniu em frente à Vila Gauí, existente até hoje na Rua São Clemente nº 176, no bairro de Botafogo, e, enquanto aguardava o início da viagem, Ivo da Rocha Gomes avistou na porta de uma quitanda, duas barricas vazias de uva, que de imediato transformou em instrumentos de percussão para uma animada batucada.

A empolgação foi tanta, que Ivo resolveu criar a partir daquele momento um “bloco de sujo”, que passou a desfilar no Carnaval pelo bairro de Botafogo com as cores azul e branco.

Os primeiros ensaios foram realizados no estacionamento da autopeça Cia Iansa, na Rua São Clemente, sob o efêmero brilho de simples gambiarras, pequenos grupos se organizavam ao redor de uma bandeira, ao som de alguns poucos instrumentos cantando e sambando.

No carnaval de 1952 o bloco desfilou pela primeira vez nas cores azul e branco e o samba foi da autoria de Nelson Escurinho.

Durante dois carnavais o bloco cresceu em componentes conquistando apoio e admiradores. Foi quando, em 29/07/1953, Ivo torcedor do Fluminense F.C. foi assistir no Estádio das Laranjeiras o amistoso internacional do seu querido Fluminense 0 x 1 Penharol. Mesmo com a frustração do resultado adverso Ivo ficou impressionado com as cores preto e amarelo da camisa do adversário e resolveu, após consulta a seus companheiros, mudar as cores do time e do bloco que dirigia do azul e branco para o preto e amarelo.

Com o sucesso do bloco, Carlos Correa Lopes (compositor) falou para Ivo que o bloco reunia condições para se transformar em Escola de Samba devido a sua grande quantidade de componentes e acima de tudo pela organização. Ivo, na sua imaginação, pensou na oportunidade que o bairro de Botafogo tinha de participar no desfile das grandes escolas de samba.

Com ousadia e espírito empreendedor foi visitar Eurico Moreira, diretor da Associação das Escolas de Samba do Brasil (A.E.S.B.) que, após escutar o pedido, autorizou o bloco a preparar uma apresentação de carnaval que teria julgado o merecimento para tão sonhada transformação. Foi um tremendo corre-corre... Como não havia um local adequado para tal apresentação, o bloco ensaiava no estacionamento da Cia Iansa de Automóveis.

Moacir Vinhas encaminhou Ivo e um grupo de amigos para falarem com Carlos Alberto (Bebeto), que fazia parte da diretoria do C.R. Flamengo. No encontro, Bebeto conseguiu a liberação para que a apresentação fosse feita na sede da Gávea. O dia da avaliação chegou: 25 de outubro de 1961. Aquele momento era o dia mais importante para o grupo de jovens que estavam vivendo um sonho. Transformar seu bloco de embalo numa respeitosa escola de samba. A comissão de avaliação da A.E.S.B. foi constituída por Heitor Servan, Eurico Moreira, Walter Januário, José Calazans, José Ferreira, Austeclínio da Silva, Joaquim Teotônio, João Paiva dos Santos e Procópio Caetano.  

Após a apresentação, a comissão aprovou por unanimidade, passando a agremiação a se chamar Grêmio Recreativo Escola de Samba São Clemente.