Após a confusão no sambódromo do Anhembi, que impediu o fim da apuração dos votos do Grupo Especial do Carnaval deste ano, o major da PM responsável pelo efetivo de choque afirmou nesta quarta-feira (22) que não houve falha na polícia. "Não registramos nenhuma pessoa ferida e a polícia militar agiu rapidamente para não haver confusão entre as torcidas", disse o supervisor Alexandre Gaspariano.
O major ainda confirmou que a quantidade de policiais é a mesma usada em jogos clássicos de futebol que comportam até 40 mil torcedores. "Para os clássicos, usamos cerca de 160 policiais para 40 mil torcedores, é mais que suficiente. No dia da apuração, o número de presentes era bem menor". Além da tropa de choque, o Anhembi contava com o policiamento de 3500 PMs na área externa do sambódromo.
Perguntado se a ação de Tiago Ciro Tadeu Faria, 29 anos, surpreendeu os policiais, ele disse que sim, mas que o rapaz não invadiu o espaço da apuração. "A pessoa que invadiu estava autorizada a estar lá. Tem que ser revista como é feita a apuração. Os dirigentes ficam muito próximos do local, mas a Liga das Escolas de Samba já deve estar vendo isso".
O policiamento para o desfile das campeãs já estava programado pela polícia militar, no entanto, segundo o major deve haver uma reestruturação. Seis pessoas foram detidas após a confusão, cinco delas em flagrante.
Entenda o caso
Uma confusão promovida por integrantes de escolas de samba interrompeu a apuração do Carnaval de São Paulo nesta terça-feira (21). Faltando apenas uma nota dez para assegurar o título para a Mocidade Alegre, Tiago Ciro Tadeu Faria, 29 anos, integrante da Império de Casa Verde, invadiu a área de apuração, tomou o último envelope das mãos do leitor e o rasgou.
O delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista (Deatur), anunciou a detenção do principal responsável por todo o tumulto. Caue Santos Pereira, 20 anos, integrante da Gaviões da Fiel, também foi detido, este por atirar objetos. De acordo com o major da Polícia Militar de São Paulo, Alexandre Gaspariano, cinco integrantes de escolas de samba foram detidos.
Com isso, a confusão se tornou generalizada e a leitura das notas foi interrompida. Até este ponto, a Mocidade Alegre liderava a apuração com um total de 160 pontos. Solange Bichara, presidente da agremiação, evitou considerar a escola campeã do Carnaval de 2012. "Não posso me considerar campeã por algo que não aconteceu", afirmou.
Uma reunião extraordinária entre a Liga das Escolas de Samba e os diretores das agremiações foi montada para decidir o desfecho do Carnaval 2012.
O tumulto se espalhou no entorno do Sambódromo. Torcedores foram vistos chutando os portões próximos à área da dispersão. Pouco depois, um carro alegórico da Pérola Negra foi incendiado por um grupo ainda não identificado. A alegoria tinha estrutura toda de palha, representando um índio gigante, e foi totalmente destruída pelo fogo.