Estacionado nas pesquisas, Gabeira lembra arrancada em 2008

João Pequeno, Portal Terra

RIO DE JANEIRO - Estacionado com cerca de 15% de intenção de votos nas pesquisas desde o início da campanha (em julho), o candidato do PV ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, tentou ser otimista durante entrevista ao RJ TV, da TV Globo nesta quarta-feira (15), lembrando a arrancada final que o levou ao segundo turno na campanha para prefeito, em 2008, mas omitindo que, naquela ocasião os votos estavam mais divididos, enquanto neste ano, todas as pesquisas apontam reeleição de Sérgio Cabral (PMDB) no primeiro turno.

"Grande parte das pessoas só toma conhecimento das eleições para governador depois que a televisão entra em cena. (...) Eu me lembro de 2008, quando fui candidato, chegamos a piores agostos, chegamos ao final de agosto com 8% e depois conseguimos crescer muito na segunda semana de setembro (...) também há uma, o que nós chamamos de combustão tardia da garotada mais jovem, é quando eles começam a tomar conhecimento das eleições e participar. E eleição para governador é muito ofuscada pela eleição para presidente", alegou.

A apresentadora Ana Paula Araújo lembrou-o de que, "em 2008, o cenário era diferente, porque a esse altura, as pesquisas de opinião pública já apontavam que haveria um segundo turno. Dessa vez, o que elas dizem é que pode haver uma decisão em primeiro turno".

Gabeira também afirmou que manterá seu coordenador de imprensa, que é contratado como assessor parlamentar, sendo pago via Brasília, com dinheiro público - ao contrário da candidata verde à presidência, Marina Silva, que decidiu exonerar dois funcionários.

"Nós examinamos a lei, bastante claramente, e os nossos advogados e a própria lei diz que é possível quando se trata de cargos no legislativo, não no executivo. Essa restrição legal é para o executivo (...) (ele) vai continuar (trabalhando na campanha) porque nós achamos que é absolutamente correto", disse.

O candidato justificou a falta de assuntos como saneamento no seu programa de governo entregue ao TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral) afirmando que se tratava apenas de cumprir uma exigência formal no prazo determinado pelo tribunal.

"O primeiro parágrafo anuncia que é um programa preliminar e que nós vamos complementá-lo. (...) Eu fui a São Paulo, vieram para cá todos os dirigentes da Sabesp, para nós discutirmos a questão do saneamento básico. Então foi nesse contexto que nós formulamos uma proposta de universalização. Universalização significa levar o saneamento a todas as casas até 2020. Não significa que eu vá fazer isso, mas eu pretendo fazer minha parte até 2014. E também propusemos a universalização do serviço de água até 2016 (No meu site está (a proposta para o saneamento)", justificou.

Gabeira afirmou ainda que "é difícil (...) mostrar à população do Rio de Janeiro, tanto no campo da saúde, no campo da educação, no campo do transporte, no campo da segurança, que as coisas não são tão maravilhosas como o governo mostra", citando a "a propaganda de 430 milhões que o governo utilizou ao longo desse período (2007-2010)".