Portal Terra
JOH - O chefe-executivo do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2010, Danny Jordaan, participou nesta quinta-feira de um café da manhã com a imprensa. Sob polêmicas pessoais, como a denúncia de que seu irmão Andrew teria lucrado com a venda de ingressos na cidade de Port Elizabeth, e organizacionais, como as críticas ainda em torno de problemas no transporte e segurança durante o evento, Jordaan apenas preferiu comemorar os elogios ao Mundial e os números mostrados na apresentação aos jornalistas.
O dirigente, mais uma vez, não fez comentários sobre o caso com seu irmão. Acerca dos assuntos organizacionais, disse que problemas de crimes existem em todos os lugares. Na noite desta quarta, o ataque a um turista, que foi encontrado baleado perto da estação Marlboro de trem, ligou novamente o sinal de alerta em torno do assunto.
"Se vocês viajarem para a América do Sul ou para a Europa também vão encontrar casos de crimes e roubos. Isto não é um problema apenas da África do Sul", afirmou.
Sobre transporte, Jordaan preferiu falar nas melhorias que o evento trouxe para o setor, em vez de comentar os problemas de trânsito vistos com frequência em Johannesburgo e a falta de um transporte público eficiente que atenda as regiões mais pobre.
"Conseguimos melhorar nossas rodovias e ruas. Aos poucos, o transporte público vem ganhando força com a criação dos trens e de ônibus que interligam regiões. O fato de o torcedor conseguir pegar um trem do centro e ir para o Soccer City e para regiões perto de Soweto já mostra nossa evolução", analisou.
Para sair em defesa do sucesso do Mundial, os organizadores apresentaram um vídeo que misturava as emoções vividas por jogadores e torcidas nos jogos da Copa com números positivos. De acordo com o que foi apresentado, a África do Sul pretende girar 93 bilhões de rands na sua economia e atingiu a marca de 2,2 milhões de torcedores nas arquibancadas.
"Esperamos superar a marca da Copa do Mundo de 1994, maior até aqui, de mais de 3 milhões de torcedores até o fim da Copa. Já ultrapassamos a marca de mais de 3 milhões na Fan Fest aqui e no resto do mundo", disse Jordaan.
Ainda se baseando nas estatísticas, o chefe-executivo disse que 364 mil visitantes estiveram no país na fase de grupos e nas oitavas de final, o que demonstraria o sucesso da Copa do Mundo.
"As pessoas que antes nos criticavam e tinham medo da África do Sul, hoje vem nos parabenizar", afirmou o dirigente, dizendo que o país também está agradecido. "Rico ou pobre, empregado ou desempregado, classe alta ou baixa...Todos foram tocados pela Copa do Mundo, pode ter certeza".
Partindo para a área dos gramados, Jordaan fez elogios à Seleção Brasileira: "é um time consistente e bem organizado. Sabe como fazer um belo jogo de futebol". O dirigente falou ainda sobre uma possível final entre Brasil e Argentina.
"Nesta Copa do Mundo podemos ter dois treinadores que se igualarão a Beckenbauer, sendo campeão mundial como jogador e técnico, que são Dunga e Maradona. Uma final entre Brasil e Argentina seria uma das mais esperadas por colocar frente a frente dois gigantes da América do Sul", disse Jordaan, que preferiu não adiantar uma previsão. "Podem ser os dois, mas pode ter a Holanda, Uruguai e quem sabe Gana".
O chefe-executivo do Comitê Organizador negou estar preocupado com uma possível queda de público com a saída de seleções como a Inglaterra, que levou um grande número de torcedores para a África do Sul. Jordaan citou mais uma vez uma final entre Brasil e Argentina para falar que é possível lotar os estádios até a final.
"Em 2006 foi assim com o Brasil - quando eles perderam, os torcedores foram embora. Só que chegaram na Alemanha vários torcedores de Itália e França, que antes não acreditavam nas suas seleções e mudaram de opinião. É assim que espero que aconteça com torcedores uruguaios, por exemplo. Fora isso, uma final com Brasil e Argentina tem toda a capacidade de lotar o Soccer City", assinalou.
Jordaan deu ainda umas alfinetadas nos jogadores que eram apontados como as grandes estrelas da Copa. "Antes do Mundial, falava-se em Rooney, Cristiano Ronaldo, Kaká, Messi e estes jogadores até agora não conseguiram fazer muitos gols. Enquanto outros, sem tanta gente em cima, estão marcando várias. São essas surpresas que fazem o futebol ser tão emocionante".