Ricardo Setyon, Portal Terra
JOHANNESBURGO - Chefe do departamento médico da Fifa, o checo Jiri Dvorak disse nesta quarta-feira, na África do Sul, que o problema do doping no esporte é maior do que muitas pessoas imaginam. A menos de duas semanas para o início da Copa, o médico diz que exames de sangue e urina não são mais suficientes.
"Hoje, não basta somente os exames de sangue e urina, é necessário uma luta de verdade", disse, citando o chamado passaporte biológico como ferramenta na busca pelo doping. O método consiste em fazer um acompanhamento hormonal dos jogadores, mesmo processo que está sendo colocado em prática com o ciclismo, por exemplo, e que tem revelado inúmeros casos e escândalos nos últimos anos.
"O passaporte não é uma descrição apropriada. Trata-se de uma sequência longitudinal de diferentes parâmetros sanguíneos e um perfil de esteróides. Contrariamente aos clássicos exames de sangue e urina, o passaporte biológico vai detectar o doping observando os efeitos da substância proibida no organismo", explica Dvorak.
No ano passado, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, se reuniu com representantes da Agência Mundial Antidoping (AMA), para discutir o procedimento dos exames no futebol, e o método foi colocado em debate. Por enquanto, foram apenas conversas iniciais, sem nenhuma resolução.
O checo aponta um dos problemas do passaporte biológico. "O perfil do esteróide é muito mais complicado, pois não temos valores referenciais. Temos que fazer isso primeiro, fazendo uma investigação com voluntários e usando o material que viemos colhendo com as seleções. Isso leva tempo, mas essa Copa será importante para avaliar quanto tempo", disse Jiri Dvorak.