Editorial, Jornal do Brasil
RIO - Não é admissível que Mumbai seja mais atraente a investimentos
do que o Rio
Pesquisa elaborada por uma conceituda agência de fomento francesa mostra que a cidade de São Paulo está entre as 20 que mais receberam novos investimentos internacionais no planeta. Foram 61 tipos diferentes de aportes, que representam 26% do que foi investido por estrangeiros no Brasil no ano passado. Mais do que as qualidades específicas da capital paulista, inegavelmente a locomotiva econômica do país, é importante ressaltar que são as condições macroeconômicas brasileiras que permitem esse resultado de primeiro mundo: notadamente a estabilidade política, o vigoroso crescimento econômico na última década e as condições gerais de infraestrutura.
São Paulo, a 12ª colocada na pesquisa, está à frente de metrópoles como a alemã Frankfurt e a holandesa Amsterdã, há pouco tempo situadas entre as mais fortes da Europa. A perspectiva para o Brasil é ainda mais alentadora se observarmos, no item da pesquisa que fala de futuro (investimentos nos próximos 36 meses), que os paulistanos ficam na sexta colocação, empatados com Hong Kong.
Se São Paulo pegou carona na força brasileira, o Rio de Janeiro pode e deve fazer o mesmo. Prefeitura e governo do estado do Ro precisam e têm todas as condições de entrar nos postos mais altos dessa lista. O primeiro passo para isso é atentar para o caminho que São Paulo trilhou para chegar lá, e saber que não é preciso competir com os paulistas, a briga é para abocanhar investimentos de cidades estrangeiras como Xangai, a líder da pesquisa.
São Paulo oferece aos estrangeiros coisas que o Rio pode, com foco e trabalho, também disponibilizar: dinamismo, internacionalização da imagem, financiamento, infraestrutura e tecnologia. E ainda com um setor de turismo fortíssimo, que os paulistas, por circunstâncias geográficas, não têm.
Tomemos as cidades que lideram a pesquisa no quesito investimentos futuros. Lidera o ranking Mumbai. Ora, parece inacreditável que a cidade indiana, por mais maravilhosa que seja sua performance na área de tecnologia da informação, tenha mais a oferecer do que o Rio. Em segundo lugar está Londres, numa clara tendência impulsionada pela realização dos Jogos Olímpicos de 2012. O Rio tem não apenas a Olimpíada de 2016, como será uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 abrigando, inclusive, a decisão da competição. Pode, pois, e deve atrair investimentos em vários setores.
Outra bela lição que pode ser tirada da estratégia paulista é de levantar-se da cadeira e ir à luta, mostrar o que se tem de bom aos vizinhos. São Paulo possui hoje 31 frentes de negócios no estrangeiro, a maior parte deles no continente americano, com Estados Unidos, Chile, Argentina, Peru e Bolívia.
E finalmente, precisam os cariocas ouvir o que querem os estrangeiros. A pesquisa cita dois problemas específicos dos quais os estrangeiros reclamam do nosso país: a burocracia (nesse caso é uma questão federal, é necessária uma nova legislação que não iniba os negócios) e os transportes (de fato, é preciso paciência para um estrangeiro se deslocar, por exemplo, da Barra da Tijuca ao Centro, e vice-versa).
Espaço para crescimento há. É só correr em busca dele.