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Abaixo o obscurantismo

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Fred Zero Quatro *, Jornal do Brasil

RIO - Virou moda, principalmente entre os adeptos do compartilhamento indiscriminado de arquivos digitais, demonizar a indústria fonográfica: eles estão tendo o que merecem . E não é minha intenção aqui que isso fique bem claro aliviar a barra de ninguém, ainda mais nesse meio, onde, convenhamos, ninguém é inocente. Mas fico me perguntando se as crianças, diante de seus laptops, em algum momento já tiveram suas mentes invadidas por alguma reflexão do tipo: será que eu posso, sem querer, estar ajudando a matar o rock? Pois para mim, parece evidente que uma das consequências mais prováveis do virtual desaparecimento da indústria seria o fim do rock'n'roll, pelo menos segundo a definição mais clássica já criada para esse termo: uma forma de se ganhar muitíssimo dinheiro, em pouquíssimo tempo, e com o máximo de estilo (Malcom McLaren). Tudo bem, sabemos que, em termos proporcionais, pouquíssimos roqueiros realmente chegavam lá. Mas eram justamente essas estrelas milionárias que ajudavam a alimentar a máquina, motivando moleques mal-nascidos mundo afora a largarem tudo para se arriscar na estrada. Era a tal da cauda longa, ainda que sem esse nome (o que tentam chamar de cauda longa, hoje em dia, consiste numa cauda infinita e insustentável).

Tenho cada vez menos paciência com todo o obscurantismo que cerca esse tema, parece que estamos finalmente evoluindo para ingressar no último estágio do jogo o do fundamentalismo tecnológico, como Clarke e Kubrick já alertavam no filme 2001. A mente sobrehumana e onipotente está a caminho, para nos salvar .

* líder do Mundo Livre S/A