ASSINE
search button

Maresia platina

Compartilhar

Roger Ancillotti, Jornal do Brasil

RIO - Nesta semana a América do Sul acordou com a maresia vinda das terras platinas. Los hermanos liberaram o consumo da maconha no território argentino.

Enquanto isso, circulou no Brasil recentemente uma notícia que pode estimular mais um crime contra a saúde pública. Pregando uma solução alternativa ao consumo das drogas ilícitas, certo pesquisador foi à imprensa informar que existem novas drogas sintetizadas e produzidas em laboratório as legal highs que mimetizam, por exemplo, o THC, princípio ativo da cannabis sativa, a maconha. Outras também, segundo ele, poderiam simular a cocaína, o ecstasy e o ácido lisérgico (LSD), com produção na Europa e na Oceania.

A mais popular delas chama-se spice, que é um mistura de produtos de origem em ervas chinesas, comercializada numa embalagem colorida e cuja chamada mercadológica vende a presença de efeitos espirituais, sendo fumada como baseado . Uma embalagem com três gramas custa cerca de R$ 100, posta em nosso território nacional, ou US$ 40, para americanos no estrangeiro. Há outra chamada raz , vendida numa embalagem colorida que lembra as de detergente em pó e quer ser a substituta da cocaína. Estas são comercializadas livremente na Europa e entram discretamente no Brasil pelo e-commerce.

Pesquisando a obra Concise Encylopaedia Of Legals Herbs and Chemicals With Psychoactive Properties, de autoria de Addan Gottlieb, da Editora Counter Culture (Reino Unido), em sua segunda edição (2009), encontramos referências a uma variedade destas drogas lícitas . Vão desde as associações de produtos químico-farmacêuticos de origem imprecisa, a analgésicos e anti-inflamatórios de ação central, antitérmicos, anestésicos e outros. Até o uso de especiarias como a mundialmente conhecida sálvia, tempero que a culinária há milênios utiliza, hoje fumada ou apertada e queimada .

Para surpresa, encontrei uma singela droga utilizada como antiparasitário, vermífugo conhecido, cujo fármaco é a benzopiperazina (BZP), usado, há anos, para conter infestações por lombrigas em adultos e crianças. O BZP tem como efeito colateral gerar alucinações. Os para-efeitos são utilizados em nosso país e existem jovens chamados xaropeiros , consumidores de antitussígenos à base de opiáceos, que provocam excitação.

Cabe-nos relembrar que estas drogas legais provocam uma embriaguez de efeito análogo, tendo as mesmas implicações legais da rainha das drogas lícitas , o álcool, o chamado lubrificante social. Mesmo sendo legais , aquelas substâncias de origem estrangeira não devem entrar no Brasil por não possuírem licenças das autoridades sanitárias e fiscais. Temos que discutir a entrada destas substâncias no Brasil. Não podemos embutir glamour , visto que há um nicho de mercado em certas classes por modismo e, coincidentemente, nesses extratos sociais estão também os maiores adeptos e defensores da chamada descriminalização da maconha.

A Grã-Bretanha já anunciou esta semana combater o comércio das legal highs até o fim deste ano.

Todos os investimentos foram incapazes de diminuir o problema das drogas ilícitas por inúmeros motivos. A moderna Criminologia evita utilizar a expressão combate às drogas ; recomenda-se o controle . No entanto, vale ressaltar que há uma diferença brutal entre usuário e traficante . O primeiro, muito mais vítima do segundo e da própria realidade social com a qual convive, requer cuidados, tratamento e sua imputação penal deve ser vista dentro desse contexto. Para o traficante, no entanto, a intepretação é de um mal que deve ser banido de toda e qualquer sociedade para que nossos filhos, no futuro, nos ajudem no controle , sendo desnecessário, assim, o chamado combate às drogas por uma questão de educação e princípios.

* Professor de medicina legal