Tarcisio Padilha Junior *, Jornal do Brasil
RIO - Liberdade é a capacidade de agir com base em nossas crenças. Ela aumenta, portanto, na medida em que ampliamos o raio de ação dentro do qual estamos preparados para nos mover. A consciência de que jamais agiremos significa falta de liberdade: vamos passar o resto da vida obedecendo às ordens dos outros.
Todos aqueles dotados de capacidade de ação são confrontados por uma escolha.
Podemos, de maneira bastante racional, subordinar nosso anseio de liberdade ao desejo de segurança. Ou podemos usar nossa energia para mudar o nosso país e, ao fazê-lo, mudar a nós mesmos.
Hoje nossos representantes são sistematicamente controlados pelos dirigentes dos partidos. Espera-se que os parlamentares, em seus discursos e declarações em público, efetivamente coloquem sua lealdade ao partido acima de quaisquer outras preocupações. Nas questões consideradas importantes pelos líderes, eles são instruídos sobre como votar - flagrante no desenrolar do processo que levou ao sumário arquivamento de todas as representações submetidas ao Conselho de Ética do Senado.
Não raro, os parlamentares são advertidos de que, se não fizerem o que o partido quer, detalhes constrangedores de sua vida particular serão transmitidos aos meios de co comunicação. Seu propósito é impedir que nossos representantes desempenhem seus deveres democráticos, ou seja, que votem e ajam em conformidade com sua consciência, motivados pela defesa dos interesses dos eleitores.
Não há dúvida de que a democracia representativa é realmente um sistema falho.
Daí que é imperioso pensar que o sistema representativo não possa ser equilibrado por alguma forma de participação: é possível o eleitorado adotar um voto de não confiança em seu representante?
Se tal iniciativa fosse bem sucedida, forçaria a realização de uma eleição suplementar, o que levaria qualquer parlamentar disposto a se distanciar do seu eleitorado a pensar duas vezes antes de fazê-lo.
Quanto mais os cidadãos forem politicamente ativos, mais serão capazes de afetar o modo como o país é administrado. E, quanto mais bem-sucedidos forem em alterar o modo como o país é administrado, maior será a probabilidade de continuarem a ser politicamente ativos.
A política tradicional é vista especialmente entre os jovens como algo entediante, porque muitos percebem corretamente que ela se tornou apenas uma questão de administração, que partidos presumidamente concorrentes de fendem metas e perspectivas similares.
Mais: a atual conjuntura econômica internacional, ao aumentar a complexidade das questões políticas, joga o processo de soluções para um nível onde não há efetivamente controle democrático.
As instituições existentes não têm capacidade de renovação. O poder de que desfrutam depende das injustiças dos arranjos que lhes deram origem, e se fossem enfrentar as injustiças estariam aceitando sua destruição. Não agirão em nosso benéfico a não ser que as forcemos a fazê-lo.
A mudança não pode ficar na dependência de um amorfo eles, mas de um específico você. Dependerá de você começar a pensar como um cidadão do novo; de trocar sua segurança por liberdade.
E então?
* Engenheiro