A difícil realidade do Botafogo: um time sem reforços

Fúlvio Melo, Jornal do Brasil

RIO - Vice-campeão, melhor ataque do Estadual-2009, o Botafogo parecia credenciado a fazer um papel digno no Brasileiro. Mas a ilusão causada pelo primeiro torneio do ano foi desfeita em menos de sete rodadas. Com orçamento limitado e diante de um mercado sem muitas opções, o Botafogo sofre para montar um elenco capaz de retirar o time da parte inferior da tabela e evitar novo rebaixamento em menos de 10 anos.

Sabemos da dificuldade do clube. Não podemos mais trazer jogadores do tipo aposta. Os reforços têm de ser de Série A admitiu o técnico Ney Franco.

Para se ter ideia da dificuldade do clube em contratar, o Botafogo é um dos times que menos se reforçaram para o Campeonato Nacional. Do fim do Estadual até a última rodada, apenas quatro jogadores chegaram.

Os atacantes Jean Coral e Tony foram os primeiros. Coral fez duas partidas pelo clube, todas entrando no decorrer dos jogos, e não agradou. Tony, com a contusão de Reinaldo (que deve voltar a treinar em duas semanas), largou na frente para fazer dupla com Victor Simões. Chegou a fazer um gol, mas irritou a torcida e perdeu a vaga para Laio.

O único reforço que chegou que virou titular foi Lucio Flavio, contratado para tapar o buraco deixado por Maicosuel, negociado com o futebol alemão. No entanto, o jogador passou cinco meses sem disputar uma partida inteira, antes de rescindir com o Santos, e ainda não tem desempenho satisfatório.

Sei que posso contribuir mais. Vou seguir trabalhando para atingir um nível que posso render mais.

Se comparado com outros clubes do país, o número de reforços é o mesmo que o do Avaí, time recém-promovido à primeira divisão e de menor investimento. O último a chegar foi o lateral-esquerdo Michael. O jogador, que só poderia atuar em agosto, entrou em acordo com o Dínamo de Kiev, seu ex-clube.

Companhia deixa a desejar

Após ser concretizada, a Companhia de Participações Esportivas, responsável por trazer jogadores ao clube, ainda está aquém do planejado. Com orçamento inicial de R$ 5 milhões, o fundo só fechou com Jean Coral. Com Zé Roberto próximo de um acerto, mas fora do perfil idealizado pela Companhia, a demora afeta o trabalho de Ney Franco, que já enviou duas listas de reforços e ainda não foi atendido.

Sei a situação do clube. Talvez o anúncio de R$ 5 milhões possa ter feito empresários pensarem que o clube está com muito dinheiro para contratar. Mas sabemos que esses jogadores não terão muito tempo (para mostrar serviço) frisou Ney.

Marquinhos, Damián Diaz e Bill foram nomes sondados pelo clube, mas as negociações emperraram. Sem opções, o jeito é preservar os jogadores que estão no elenco, como o volante Leandro Guerreiro, que renovou por três anos na última sexta-feira, e apostar nas divisões de base. São cinco os jogadores promovidos no elenco: Luiz Guilherme, Alex, Rodrigo Dantas, Laio, Gabriel. O goleiro Renan já tinha subido da base.