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José Alejandro Consigli *, Jornal do Brasil

BUENOS AIRES - A designação de Arturo Valenzuela como responsável para a América Latina no Departamento de Estado a rigor, subsecretário de Assuntos Hemisféricos não pegou de surpresa os analistas políticos que acompanham o tema: seu nome vinha sendo sondado já há algum tempo para o cargo. Um cargo que, para os países latino-americanos tem relevância, já que quem o ocupa é o interlocutor habitual de suas queixas, mas que é relativamente menor na estrutura do Departamento de Estado bem mais preocupado com suas relações com a Europa, seus vizinhos da América do Norte e, naturalmente, com os países do Oriente Médio. Tanto assim que o 'Washington Post' dedicou apenas duas linhas à nomeação deste chileno que aos 16 anos imigrou para os EUA e ali completou seus estudos, seguindo carreira profissional.

Embora tenha experiência política (foi conselheiro para assuntos latino-americanos nas duas gestões Clinton), seu embasamento maior é acadêmico, como confirma sua passagem pela reconhecida Universidade de Duke, e seu trabalho atual como diretor do Centro de Estudos Latino-americanos da Edmund A. Walsh School of Foreign Service da Universidade de Georgetown. Seus artigos e livros estão centrados na consolidação dos sistemas democráticos na América Latina.

Nos últimos anos da era Bush, Valenzuela criticou duramente a atitude do governo e pediu que se estabelecesse um regime de cooperação na política internacional dos EUA. Suas críticas a Bush também se basearam na falta de interesse pela América Latina que Valenzuela considerava tão importante do ponto de vista estratégico para desenvolver a democracia no mundo. Além disso, defendeu em várias ocasiões uma mudança profunda no modelo de relação dos EUA com Cuba.

Seus antecedentes coincidem com o que se supõe ser o pensamento de Obama a respeito da política exterior dos EUA. Valenzuela substituirá Tom Shannon, que demonstrava disposição positiva e aberta para a América Latina, mas que não pôde evitar o relativo desinteresse da administração de Bush pelo nosso continente.

Até o momento, o começo é alentador: Obama ter eleito um nativo de nossa região, dentre uma extensa lista, é auspicioso.

* José Alejandro Consigli leciona na Universidad Austral, em Buenos Aires