Comprar ou alugar?

Arnon Velmovitsky * , Jornal do Brasil

RIO - Passa pela cabeça de todos nós: qual é a melhor opção no momento, num mundo em crise financeira, comprar ou alugar um imóvel? A resposta pede a análise de uma série de fatores importantíssimos considerando o contexto econômico mundial e nacional.

Do ponto de vista simplesmente econômico não é vantajoso adquirir um imóvel agora como um investimento, pois a rentabilidade do aluguel provavelmente seria inferior à remuneração do capital oferecida pelas instituições financeiras, que estão pagando até em CDBs uma rentabilidade mais atraente que os aluguéis rendem a proprietários.

Este é o caso de grande parte dos imóveis de luxo, cuja rentabilidade, no momento, é inferior a 0,7% ao mês. Existe pouca demanda por aluguel deste tipo de imóvel, pois os mesmos apresentam, normalmente, taxas de manutenção e condomínio elevadas mesmo para o bolso de inquilinos da classe A.

Já os imóveis destinados às classes B, C, D e E constituídos em geral de conjugados até os de sala e três quartos tendem a propiciar uma remuneração maior, que ultrapassa inclusive 1% ao mês. Ou seja, representam uma opção interessante para aqueles que visam um bom negócio.

É lícito avaliar outros fatores a segurança de morar em imóvel próprio, o investimento para propiciar maior conforto ao usuário, evitar problemas de justiça e renovação de contrato de aluguel. Todos estes pontos contribuem na hora de tomar a melhor decisão pela compra ou pelo aluguel.

O fato é que a crise financeira trouxe raras e excelentes oportunidades, que dependem de paciência e pesquisa. Assim, é preciso analisar bem todos os pontos do seu interesse para realizar a melhor escolha. A hora pode ser boa para aqueles que desejam adquirir um imóvel próprio ou para aqueles que pretendem alugar imóveis de alto luxo, mas para quem deseja alugar um imóvel de médio ou pequeno porte, é preciso ter critérios firmes para avaliar a oferta.

* Arnon Velmovitsky é presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-RJ.