Irritação de Juan na final reacende discussão sobre limites do drible

Hilton Mattos, Jornal do Brasil

RIO - A dura de Juan em Maicosuel, na primeira partida da final do Carioca, domingo, no Maracanã, reacendeu a polêmica sobre o limite entre habilidade e provocação. A intimidação do lateral do Flamengo após ser driblado pelo meia do Botafogo remete a lances não menos polêmicos. Num esporte movido pela paixão, é comum se deparar com reação como a do jogador rubro-negro. Na guerra fria dos campos, há quem utilize o recurso para desestabilizar o inimigo. Reside aí o xis da questão: quais os fatores que dão margem à interpretação de provocação?

O peso da rivalidade e o placar são levados em conta neste subjetivo julgamento. Na final da Taça Guanabara de 2000, o apoiador Beto entendeu que Pedrinho tripudiava da torcida do Flamengo ao caminhar fazendo embaixadas. Como o placar do jogo estava 5 a 1 para o Vasco, Beto reprovou a jogada.

Se o jogo estivesse duro, ele não faria aquilo. Só fez porque estavam goleando. No caso do Maicosuel, por exemplo, estava 2 a 1 Botafogo. Não tinha motivo para ele debochar. Foi habilidade. De repente até quis desestabilizar o adversário, mas não quis esculachar como o Pedrinho advertiu Beto, que na final do campeonato, meses depois, devolveu as embaixadas na festa do título rubro-negro.

Pedrinho se defende, mas entende que deu margem à interpretação dos jogadores do Flamengo.

Eu não fiz por mal, mas pegou mal porque dominei e progredi com ela no alto. Aí deu a impressão de deboche faz o mea culpa o jogador, hoje no Figueirense.

Pedrinho assistiu aos melhores momentos do clássico carioca. Ao ver a confusão, criticou Juan. Para ele, Maicosuel quis ganhar tempo, pois estava bem na partida. Marcado pela polêmica de nove anos atrás, acredita que a opinião pública é quem dá a verdadeira sentença para jogadas como as de domingo.

Alguns casos podem ser considerados como provocação, mas não justifica uma reação com agressão. Se o defensor não reagir com agressão, nós que fizemos o lance é que, com o tempo, seremos criticados.

O procurador do TJD, André Valentim, vai analisar o vídeo com a confusão. Juan se defende. Diz que nunca teve a intenção de agredir Maicosuel.

Não fui para machucá-lo. Fui duro, mas na bola. Faz parte do jogo e vemos isso acontecer sempre: jogador simula, se joga e depois leva uma bronca desabafou o lateral.

Tática para expulsão

Maicosuel pode ter se espelhado em Djalminha. O ex-meia de Flamengo e Palmeiras usava toda a sua habilidade para desconsertar os zagueiros. Muitas vezes, conseguia tirar um de campo.

O importante é você tirar proveito disso. Primeiro, o cara leva (cartão) amarelo e depois você tenta a expulsão, partindo para cima de novo e sem se importar com os xingamentos revela Djalminha.

O Juan é estouradinho, lógico que todo mundo vai querer driblar na frente dele até ele perder a cabeça completou Beto.

Relembre outras confusões

Dança da bundinha

Na primeira partida da final estadual de 1997, com vitória do Vasco, Edmundo provocou Gonçalves dando uma reboladinha. No jogo seguinte, o Botafogo sagrou-se campeão, com gol de Dimba, e os jogadores festejaram o título repetindo a coreografia.

Embaixadas no alto

Edílson fez embaixadinhas com a cabeça no meio do campo na final do Paulista de 1999 decidida a favor do Corinthians. O jogo terminou em pancadaria com os jogadores do Palmeiras. Convocado para o jogo com a Venezuela, Edílson acabou cortado.

Embaixadas no chão

O Vasco goleava o Flamengo por 5 a 1 na final da Taça Guanabara de 2000. O meia Pedrinho, no fim da partida, caminhou com a bola fazendo embaixadas e deu início a uma confusão generalizada. Na final do Estadual, meses depois, o Flamengo levou a melhor e Beto, devolvendo a provocação, foi fazer embaixada em frente à torcida do Vasco.

Palhaçadinha

No Brasileiro de 2007, o Flamengo perdia por 3 a 0 para o Santos, na Vila Belmiro. Irritado, o técnico Joel Santana mandou o seguinte recado para os jogadores: Se ficar de palhaçadinha, mete a porrada mesmo .