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Irã e terrorismo na América Latina

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Ely Kamon *, Jornal do Brasil

RIO - O Irã é atualmente o patrocinador de terrorismo mais ativo do mundo, de acordo com o mais recente estudo do Departamento de Estado dos EUA sobre o tema.

O suicídio de um homem bomba, em março de 1992, na Embaixada israelense em Buenos Aires foi, de maneira argumentável, o primeiro ataque terrorista islâmico no Hemisfério Oeste.

Em outubro de 2006, promotores argentinos mostraram, inequivocamente, que a decisão de explodir o prédio da Associação Mutual Israelense Argentina (Amia) foi tomada pelas instâncias mais altas do governo iraniano, e que os mesmos tinham pedido ao Hezbollah para executar o ataque.

Numerosas evidências do relatório de investigação da Amia mostram que a Argentina foi infiltrada pelo serviço de inteligência do Irã, o qual, no meio da década de 80, começou a estabelecer uma ampla rede de espionagem que englobava a Embaixada iraniana.

A situação parece se repetir hoje na Venezuela e na Bolívia, mas dessa vez com o apoio ativo ou passivo dos governos, que estão bem cientes das antigas atividades de inteligência do Irã no continente.

Várias agências de segurança no mundo estão preocupadas com a possibilidade de terroristas e dos agentes da inteligência iraniana chegarem no voo semanal entre Caracas e Teerã, visto que os passageiros desses voos não estão sujeitos às práticas de controle de imigração e alfândega. Já o presidente da Bolívia, Morales, ordenou que acabassem com todas as restrições de visto para cidadãos iranianos.

Um perigo eminente deverá nos preocupar caso outros países da América Latina resolvam seguir o exemplo da Bolívia, retirando restrições referentes à liberação de vistos. O Irã já tem provado o que pode fazer na região com a restrição de vistos, imagina o que faria sem ela.

* Ely Kamon é pesquisador do Instituto Internacional para Contraterrorismo em Herzlyia, Israel