Editorial, Jornal do Brasil
RIO - Obra aguardada desde os anos 70, a partir de então anunciada por sucessivos governos e repetidamente engavetada nos arquivos oficiais, o Arco Metropolitano do Rio de Janeiro continua ainda um sonho distante. Em que pesem a pompa e a circunstância com as quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a largada para as obras, há cerca de um ano, o fato é que até agora o estado não concluiu sequer um dos 72 quilômetros aos quais ficou incumbido dentro dos 145 previstos no convênio com o governo federal.
Sob a justificativa das fortes chuvas, da demora na concessão de licenças ambientais e da suspeita de sítios arqueológicos no percurso da via, a obra segue nos estágios iniciais de estudo e planificação praticamente a mesma situação de três décadas atrás. Para o bem do Rio de Janeiro, os nós burocráticos que travam um projeto de tal magnitude devem ser desatados sem delongas, visto que o trânsito e a economia do estado não mais suportam tamanha demora.
O corredor viário de 145 quilômetros a ser chamado de rodovia estadual RJ-109, que vai ligar o Porto de Itaguaí a Itaboraí cortando cinco municípios da Baixada Fluminense pretende desafogar o trânsito da Avenida Brasil, da Ponte Rio-Niterói e de trechos metropolitanos das rodovias Rio-São Paulo (BR-116) e Rio-Petrópolis (BR-040). Além disso, o arco promoverá a articulação entre importantes polos econômicos do estado, como a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), o Porto de Sepetiba, a siderúrgica CSA, em Santa Cruz, e o futuro complexo petroquímico de Itaboraí.
A previsão de conclusão da obra, iniciada em 26 de junho, era de 24 meses, prazo que agora se estendeu para o fim de 2010. O projeto foi orçado em R$ 928 milhões, dos quais R$ 228 milhões ficaram a cargo do governo do estado e o restante proveniente de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As cifras, até o momento, estão mantidas embora não tenha sido atingido nem sequer 1% dos gastos previstos com o projeto, conforme avaliou o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), que ao longo dos últimos anos presidiu várias audiências públicas sobre o tema.
De acordo com a Secretaria Estadual de Obras (Seobras), o governo está começando a construção de viadutos sobre a Estrada de Adrianópolis, em Nova Iguaçu, e Rio Douro, em Duque de Caxias, além de iniciar sondagens de terrenos e terraplenagens . Um passo ainda tímido diante dos números do megaprojeto, que prevê a construção de 41 viadutos, 18 pontes e 36 passagens subterrâneas. A Seobras garante que mais de 70% das cerca de 4 mil desapropriações foram concluídas, mas moradores ouvidos pela reportagem do Jornal do Brasil disseram ter sido retirados de suas casas sem ter recebido qualquer ajuda governamental ou indenização. Uma questão que merece atenção urgente, antes que se torne (mais um) entrave jurídico ao empreendimento.
A verdade é que o governo não demonstrou, até agora, agilidade suficiente para tocar a obra. E diante da vital relevância da empreitada para a economia fluminense (bem como para a Região Sudeste), qualquer atraso no cronograma é injustificável.