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Mononucleose atinge 95% da população mundial

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Nice Godinhio*, Jornal do Brasil

RIO - A mononucleose infecciosa é uma doença causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV) e transmitida pela saliva. O vírus Epstein-Barr pertence à grande família dos herpesvírus. A doença é transmitida de pessoa a pessoa através de contatos íntimos. O vírus, que existe na saliva e é transmitido pelo beijo, infecta 95% da população mundial.

As populações afetadas dividem-se em dois grupos: crianças pequenas, que são infectadas pelos pais ou por outras crianças, ao colocarem objetos com saliva de outras crianças na boca; e adolescentes e adultos, infectados através do beijo.

O tempo entre o contato de a pessoa infectada com o vírus e o aparecimento da doença (chamado de período de incubação) é de 30 a 50 dias. A doença infecciosa evolui geralmente em duas fases: uma inicial que se caracteriza pelo aparecimento de sintomas gerais comuns a outras infecções virais e uma segunda fase com sintomas mais específicos da doença, que contribuem para o seu diagnóstico.

Os sintomas gerais, que duram cerca de uma semana, são mal-estar, dores de cabeça, dores musculares, dores de barriga, falta de apetite e fadiga. Na fase seguinte, febre geralmente moderada associa-se a dores de garganta e ao aparecimento de gânglios aumentados de volume no pescoço e, por vezes, nas virilhas e nas axilas. O fígado e o baço podem também apresentar aumento de volume. A hepatite sintomática ou icterícia é incomum.

Em alguns doentes pode aparecer uma erupção na pele (5 a 15% dos casos), constituída por manchas e pápulas de cor rosada no tronco. É mais freqüente quando os doentes são medicados com um antibiótico (Ampicilina) que se utiliza no tratamento de infecções da garganta.

Nas crianças, com menos de 2 anos, os sintomas são menos típicos e mais ligeiros, podendo ser confundidos com outras doenças virais. Na maioria das vezes, inclusive, ela é totalmente assintomática.

A evolução da mononucleose infecciosa é, em geral, favorável com evolução para a cura, embora a febre e outros sintomas possam persistir por mais de duas ou três semanas. Na maioria das vezes, evolui sem complicações. No entanto, podem surgir problemas neurológicos, cardíacos, hepáticos ou renais.

A base do diagnóstico é o quadro clínico. E perante a suspeita clínica, o médico deverá pedir análises de sangue que podem sugerir ou confirmar o diagnóstico da doença.

Não existe terapia específica para a mononucleose. O uso de altas doses de aciclovir diminui pouco o tempo de contágio, mas não altera o curso clínico. Repouso e alívio dos sintomas ainda são um bom tratamento.

* Clínica e gastrointerologista