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Esforço conjunto contra o crack

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Editorial , Jornal do Brasil

RIO - Num terreno por onde habitualmente trafegam temores da população e inércia das autoridades, é uma boa notícia a criação de uma força-tarefa destinada a reagir ao avanço do crack no Rio. A partir de sexta-feira, um grupo encabeçado pela Secretaria Municipal de Assistência Social e respaldado por pastas municipais, estaduais e federais apresentará linhas de ação para o combate ao consumo que chega a crescer até 300% ao ano. A ideia é trazer para o Rio tratamento e abordagem de choque, com enfermarias e médicos especializados, em modelo parecido ao reservado à dengue no verão de 2008. Com atraso mas ainda a tempo de reverter o quadro sombrio que se apresenta o crack será tratado como uma verdadeira epidemia.

A infiltração da droga na sociedade carioca e seus efeitos devastadores renderam, nas últimas semanas, uma série de reportagens no Jornal do Brasil, bem como artigos e editoriais que alertavam para a gravidade do problema. Sabe-se que o crack chegou ao Brasil em meados dos anos 80, via São Paulo, onde surgiu a primeira cracolândia do país. Em 2002, cruzou a divisa estadual e chegou ao Rio de Janeiro, graças a um acordo entre facções criminosas infiltradas nas duas capitais. Hoje o mercado é intenso em todo o país, devido à natureza da droga um subproduto que resulta do refino da cocaína, mais forte e mais barato, atingindo assim principalmente a população menos prestigiada financeiramente. Estimativas da prefeitura calculam em 400 o número de crianças e adolescentes que vivem nas ruas. Do total, 90% seria de usuários de crack.

Recente operação Choque de Ordem no Jacarezinho veio a corroborar as estatísticas. Agentes da prefeitura, apoiados por policiais militares, recolheram 47 menores de idade que passavam dias e noites entregues ao vício. Muitos roubavam e se prostituíam para conseguir o entorpecente. Mas além da repressão, é preciso um Estado mais atuante e preparado para prover a necessária ajuda à recuperação e ressocialização dos usuários. Ao que parece, essa é a ideia por trás da força-tarefa que ora se forma.

Como bem definiu o secretário municipal de Assistência Social, Fernando William, o crack é um problema de saúde pública e de nível nacional . Tanto assim que o esforço conjunto prevê a participação de juízes, promotores, representantes da Câmara Municipal, da Assembleia Legislativa, secretarias municipais de Saúde, Educação, Ordem Pública, da Pessoa com Deficiência, secretarias estaduais de Saúde, Assistência Social e Direitos Humanos, Segurança Pública e de Governo e os ministérios da Saúde, do Desenvolvimento e da Educação. O apoio da sociedade pais, educadores será fundamental para o sucesso da operação.

Uma das ações imediatas da Secretaria Municipal de Assistência Social no combate ao crack será a busca das famílias dos menores recolhidos das ruas. No caso de impossibilidade de identificação de parentes, a secretaria optará pelo programa já existente da Família Acolhedora o único que não sofreu cortes de repasse de verbas por conta da crise financeira do município. Assim, começa a ser travada a primeira batalha contra o insidioso inimigo. Como a guerra se afigura longa, ainda haverá tempo para se cobrar, mais adiante, políticas públicas mais intensivas para o tratamento e a ressocialização de dependentes.