Flávio Dilascio, JB Online
RIO DE JANEIRO - A vitória heróica diante do Americano e os seis pontos perdidos pelo Vasco no tribunal fizeram o Fluminense voltar a ter esperanças em conquistar um título que o clube não saboreia há um bom tempo. Desde 1993, o Tricolor não sabe o que é ser campeão da Taça Guanabara, conquista das mais tradicionais do futebol do Rio, a qual representa atualmente o primeiro turno do Campeonato Carioca. Para isto, o Flu terá de vencer o Tigres no próximo domingo e torcer por tropeços de Cabofriense ou Americano, que jogam, respectivamente contra Duque de Caxias e Resende. Isto sem contar na torcida que o Tricolor terá de fazer na quarta-feira dia em que a punição ao Cruzmaltino será julgada no pleno - para que o Vasco não recupere seus pontos no tribunal, o que faria com que o time da Colina voltasse à zona de classificação. O caminho é difícil, mas não impossível. Nada que faça quem entende do assunto não perder as esperanças.
- No futebol a gente vê muita coisa. Acho que ainda é possível o Fluminense chegar, mas não seria o caminho certo. O ideal seria se classificar fazendo uma boa campanha, sem depender de resultados ou milagres comentou o ex-zagueiro tricolor e da Seleção Brasileira, Edinho, que era exatamente o técnico da conquista de 1993.
Desde o caneco daquele ano obtido na última rodada num vitória por 1 a 0 sobre o Volta Redonda o Flu só vem amargando decepções no que diz respeito ao desempenho na Taça Guanabara. Mesmo nos anos em que o time foi campeão carioca neste período 1995, 2002 e 2005 a equipe amargurou campanhas sofríveis no primeiro turno, recuperando-se apenas no restante da competição. Coincidência? Para os heróis da conquista da última Taça Guanabara tricolor isto é apenas um resultado de um mau planejamento.
- Nos últimos anos, o Fluminense se desfez de jogadores importantes ao final das temporadas e, só no decorrer do ano seguinte, começava a montar o time. Isso atrapalha o desempenho nas primeiras competições, onde está justamente a Taça Guanabara comentou o ex-atacante Ézio, autor do gol do título da Taça Guanabara de 1993.
Daquela conquista ficou apenas a memória. E uma memória quase apagada para muitos torcedores, primeiramente, pelo tempo e, depois, pela perda da importância da Taça Guanabara, visto que ela é praticamente esquecida se o time não vence a final do Carioca. Mas a Guanabara de 1993 teve um sabor especial para o grupo. Em uma época de vacas magras, bem diferente da atual, onde imperam os milhões investidos pela Unimed, o Fluminense tinha de se superar em campo para vencer os problemas estruturais e financeiros que o clube atravessou na década de 90.
- Existe uma diferença enorme do Fluminense daquela época para o de agora. Na época em que eu joguei, não tínhamos patrocinador e usavam da política do bom bonito e barato. Em compensação, o Edinho conseguiu formar um grupo coeso e unido, compensando as limitações na disposição. Hoje em dia não vejo mais essa união. Termina o treino, o jogador pega o carro e vai para casa. Não como na minha época, quando o time era praticamente uma família revelou Ézio.
O ex-técnico Edinho admitiu ainda que ele acumulava a função de dirigente, tamanho o amadorismo da administração do clube na época.
- O Fluminense tinha muitas dificuldades financeiras na época. Era eu quem conversava com os jogadores e até negociava com alguns deles para irem jogar no clube. Conseguimos formar um grupo entrosado dentro e fora de campo, apesar de não haver grandes estrelas comentou.
O Fluminense conquistou a Taça Guanabara de 1993 de forma invicta. O time, aliás, só foi perder na competição, na terceira rodada da Taça Rio, quando foi derrotado por 3 a 2 pelo Flamengo. Na Taça Guanabara Fluminense e Vasco alternaram a primeira colocação por várias rodadas. Na nona e na décima, porém, o time da Colina desandou, perdendo para Americano e Entrerriense, deixando o primeiro lugar de bandeja para o Flu.
A confirmação do título, porém, só veio na 11ª e última rodada, quando o Tricolor venceu o Volta Redonda por 1 a 0, nas Laranjeiras. Festa que a torcida espera voltar a fazer no dia 1º de março, data da final da Guanabara de 2009. Caso contrário, o clube estará entrando em seu 12º ano de jejum.