Marcelo Migliaccio, Jornal do Brasil
RIO - Paes e Gabeira se despediram nesta sexta-feira do horário gratuito. Último capítulo de novela é aquela coisa meio previsível: o vilão se dá mal, a mocinha casa com o galã, e o cachorrinho faz uma graça para todo mundo rir. O dramalhão eleitoral na TV, porém, é diferente. Sai do ar no penúltimo capítulo, e a gente só vai saber quem terá direito ao final feliz neste domingo, lá pelas sete, oito da noite...
No programa derradeiro, ambos apresentaram uma síntese de si mesmos. Venderam-se como produtos que você compra ao custo de um voto e usa por quatro anos. A diferença é que, neste caso, não existe defesa do consumidor para eventuais reclamações, e muito menos para troca. Não gostou, agüenta.
Resumindo o último apelo em uma palavra, Paes vendeu a idéia de trabalho. Mais do que falar, é preciso saber fazer, ter experiência e iniciativa . Evocou o depoimento do líder comunitário de Sepetiba Jorge Salviano, que se disse surpreso pelo fato de o peemedebista dar expediente desde as seis da manhã e até num domingo de folga.
O entorno da mensagem principal foi de reforço nas teses da parceria com os governos estadual e federal a repaginada ministra Dilma Roussef apareceu para dar uma força e no bilhete único de transporte. Para animar o eleitorado, a âncora Lica Oliveira citou a nova pesquisa do Datafolha, que dá vantagem a Paes.
Gabeira vendeu a utopia, um jeito novo de administrar a cidade. Selecionou para o último dia os depoimentos do frei Leonardo Boff, que ressaltou a ética do candidato, e da atriz Fernanda Torres contra as forças corruptas e retrógradas .
O verde baseou sua campanha em sonhos o de não lotear cargos, o de mobilizar voluntários, o de não sujar a cidade, o de não atacar o adversário... Falou também do pesadelo de ter perdido parte do fígado, do estômago e do rim lutando contra a ditadura militar. Para arrematar, exibiu sua pesquisa, a do GPP, que o coloca seis pontos à frente de Paes.
Agora, o protagonista da novela é o eleitor. Quando estiver sozinho diante da urna, você será o administrador da cidade. Vai escolher a sua forma de gerir o Rio, ocupando o cargo de prefeito por alguns segundos breves, mas decisivos. Como carioca, só lhe peço que não me decepcione.