Celso Paiva, Portal Terra
PEQUIM - Toda prova decisiva são os mesmos movimentos. Cielo se benze, pega um pouco de água, cospe longe. Em seguida, começa a sessão de tapas no próprio corpo. Uns consideram excêntrico, mas para a família do nadador isso foi a certeza de que a medalha de bronze viria nos 100 metros livre nesta quinta-feira, nos Jogos Olímpicos.
De acordo com César e Flavia, quando o atleta começou o seu ritual, eles tiveram a confirmação de que coisa boa viria pela frente.
- Ontem, ele chegou muito calmo na piscina, bem tranqüilo, até estranhamos. Deu no que deu, ficou em oitavo - disse a mãe de Cielo.
- Hoje não, ele começou a se dar tapas, pegou a água, cuspiu. Pensei na hora: 'agora sim, ele está ligado'. Quando começou a prova e ele largou bem, a confiança aumentou ainda mais, principalmente depois que ele virou em terceiro - completou Flavia.
Cielo confirmou que hoje chegou até a extrapolar no seu ritual.
- Olha, acho que me benzi umas 37 vezes. Bater no corpo eu perdi as contas. Acho que foram umas 1.500. Eu tava com a cabeça em outro planeta hoje - disse.
- Teve uma hora que eu parei, no balizamento, eu olhei e falei 'só tem três medalhas para esses oito aqui. E aí eu pensei: vou fazer o meu melhor. Vou ver o que acontece. Se der, deu'. Se não desse, eu teria deixado a minha melhor performance na piscina.
Cielo afirmou que resolveu acordar mais tarde na prova de hoje. Normalmente, o atleta segue o que é feito pelos outros nadadores nos Estados Unidos, onde treina. Ele levanta por volta das 6h e faz o aquecimento antes do café da manhã, indo depois para as eliminatórias.
- Eu deixei para acordar só aqui na piscina (de aquecimento) mesmo. Na hora que eu pulei na água é que deu aquele choque de acordar. Isso foi mais ou menos uma hora e meia antes da prova. Ontem, na hora que eu pulei na água, eu fiquei acordado muito tempo. Fiquei cinco, quatro horas acordado. Aí eu resolvi deixar essa energia para a última hora e deu certo hoje.