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Menos pressionada, Daiane vai repetir 'Brasileirinho' em Pequim

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REUTERS

CURITIBA - Daiane dos Santos está se sentindo mais leve. Quatro anos depois de falhar na final olímpica do solo, a atleta comemora o fato de ter deixado de ser a protagonista da ginástica para os Jogos de Pequim e decidiu repetir a música 'Brasileirinho' para a última Olimpíada de sua carreira.

Com 'Brasileirinho', Daiane ganhou várias etapas da Copa do Mundo e chegou ao topo do ranking no aparelho.

- A gente tentou achar outra música, mas muita gente pediu para usarmos de novo o 'Brasileirinho', que foi uma música que marcou bastante - disse a atleta gaúcha à Reuters após o treino de segunda-feira em Curitiba.

Ao som da música de Waldir Azevedo, Daiane também sofreu uma decepção. Nos Jogos de Atenas, ela cometeu erros e terminou a prova em que era considerada favorita em quinto lugar. Na ocasião, ela era o centro das atenções da delegação brasileira. Agora, divide os holofotes com Jade Barbosa e Diego Hypólito.

- É bom porque você fica um pouco mais tranquila. As pessoas têm bastante expectativa, e isso é uma coisa que você aprende a lidar aos poucos - afirmou a atleta. - A expectativa desta vez é diferente, tem mais meninas, tem o Diego.

A série que a ginasta vai apresentar em Pequim é, segundo ela, mais 'forte' que a utilizada em Atenas.

- É uma série diferente. Mexemos em alguns pontos da coreografia e na parte acrobática também - contou Daiane, que não vê problema na repetição da música.

A campeã mundial do solo em 2003 acredita que o Brasil tem boas chances de medalha em Pequim, especialmente com Diego no solo, Jade no salto e no solo e ela própria no solo. Para Daiane, a equipe vem evoluindo a cada ano e prova disso foi o quinto lugar da seleção feminina no Mundial do ano passado.

Daiane evita apontar favoritas para a final do solo. Chegou a citar a chinesa Fei Cheng, mas comentou que pode haver surpresas.

- As chinesas e as americanas estarão muito bem, mas têm aquelas que escondem o jogo também, todas as meninas que estarão lá são rivais - disse.

- A pontuação mudou. Eles (árbitros) estão mais exigentes, as quedas valem mais, então pouquíssimas pessoas arriscam a fazer coisas muito difíceis, a coisa ficou muito igual - acrescentou.

Aos 25 anos, Daiane disse que está se sentindo bem fisicamente, após passar sete meses se recuperando de uma lesão no tornozelo, sofrida durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Ela teve que passar por cirurgia.

ATÉ QUANDO?

Após a Olimpíada de Pequim, Daiane dos Santos treinará no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, visando principalmente a final da Copa do Mundo, no mês de dezembro.

Depois, deve diminuir o ritmo de treinamento e disse que continuará na ginástica 'até quando quiser', sem estipular um prazo. A Olimpíada de Londres-2012, porém, está fora de cogitação.

Daiane treina ginástica desde criança e disse que teve que mudar toda a sua vida pelo esporte. A começar pela cidade: faz quase sete anos que ela deixou a família em Porto Alegre para trabalhar com a equipe permanente em Curitiba.

- Minha vida gira em torno da ginástica. Um esportista de alto rendimento é assim. Você troca tudo pelo esporte, que é seu trabalho - comentou.

Por causa da ginástica, ela ainda não terminou a faculdade de educação física - falta um semestre - e não tem tempo para namorar.

- Namorei durante muito tempo, mas é complicado. Meu namorado era de Porto Alegre, trabalhava e estudava e eu também, então eu queria estar lá e ele aqui e não dava - afirmou.

- Neste momento estou priorizando a ginástica. Para ir a uma Olimpíada, você tem que ter força, vontade ... Tem um monte de regras que você tem que seguir para estar no grupo - completou ela, que mora em Curitiba com as irmãs e pouco vê os pais na capital gaúcha.