África chega às salas de aula em novo livro de Nei Lopes e Luiz Antonio Simas

Lançamento virtual de 'Filosofias africanas' é na próxima terça (8) nas redes sociais da Livraria Leonardo Da Vinci

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Depois de lançarem juntos o "Dicionário da história social do samba", vencedor do Jabuti em 2016, Nei Lopes e Luiz Antonio Simas lançam mais uma obra de referência para o estudo de Humanidades e da influência negra na formação do Brasil. "Filosofias africanas – Uma introdução" é uma obra didática que introduz o leitor ao amplo repertório de intelectuais negros e suas produções. Os autores partem de concepções da formação do universo e da força vital em diferentes regiões da África, chegando à dinâmica da construção do conhecimento numa sociedade fortemente baseada na tradição oral. Ao longo do livro são apresentados teóricos africanos ou afrodescendentes do século XX, entre eles o brasileiro Muniz Sodré, a guadalupenha Ama Mazama e o senegalês Cheikh Anta Diop. No anexo, além das referências bibliográficas, "Filosofias africanas – Uma introdução" apresenta um glossário e lista mais de quase 300 ditos populares africanos, organizados pela região do continente.

Num sentido amplo, o termo “filosofia” designa a busca do conhecimento iniciado quando os seres humanos começaram a tentar compreender o mundo por meio da razão. O termo pode também definir o conjunto de concepções, práticas ou teóricas, acerca da existência, dos seres, do ser humano e do papel de cada um no Universo. Na prática acadêmica, é usado para designar o “conjunto de concepções metafísicas (gerais e abstratas) sobre o mundo”.

A grande crítica que se faz às tentativas de caracterizar o pensamento tradicional africano como filosofia é a de que, na África, os nativos, defrontados com a grande incógnita que é o universo, seriam incapazes de ir além do temor e da reverência, próprios das mentes ditas “primitivas”.

A partir daí, o chamado “racismo científico”, um dos pilares do colonialismo no século XIX – desqualificando as fontes do saber africano conhecidas desde a Antiguidade –, negou a possibilidade de os africanos produzirem filosofia. Então, o reconhecimento como filósofos, no sentido estrito do termo, de pensadores nascidos na África e de uma linha filosófica deles originada só ocorreu a partir do século XX.

Filosofias africanas trata tanto dos saberes ancestrais africanos, sua essência preservada nos provérbios, na diversidade multicultural e nos ensinamentos passados durante gerações por meio da oralidade, quanto da contribuição de filósofos africanos e afrodescendentes contemporâneos na atualização desses saberes, muitos dos quais pautados no decolonialismo. Nei Lopes e Luiz Antonio Simas, de maneira didática, mais uma vez escreveram uma obra que evidencia a complexidade, sofisticação e profundidade do pensamento africano e das perspectivas de mundo que sua filosofia provoca.

A SABEDORIA DOS PROVÉRBIOS

No patrimônio imaterial de um povo, representado pela riqueza tradicional acumulada desde os primórdios de sua consciência, os provérbios costumam representar momentos de alta sabedoria. Com a profundidade das sínteses, essas expressões do pensamento contêm em geral a essência dos ensinamentos indispensáveis à vida, ou seja, o sumo da filosofia das sociedades que os criam. Veja a seguir uma relação de provérbios categorizados de acordo com as regiões africanas de suas respectivas origens.

ÁFRICA CENTRO-OCIDENTAL: “Não importa se a noite é longa, pois o dia sempre vem”

ÁFRICA OCIDENTAL: “Tentar e falhar não é preguiça”

ÁFRICA ORIENTAL: “A vaca pariu uma chama: quando foi lamber a cria, ela se queimou, e quando quis apagá-la, o amor de mãe falou mais forte”

ÁFRICA AUSTRAL: “Doença em quarto minguante; cura na lua-nova”

NEI LOPES é bacharel em Direito e Ciências Sociais pela UFRJ e doutor honoris causa pelas igualmente prestigiosas UFRRJ e UFRGS. É autor de quarenta livros, incluindo ficção e poesia, além de dicionários, tendo a africanidade como tema. Na música popular, é compositor premiado, tendo como intérpretes e parceiros renomados artistas, sobretudo no gênero samba. Pela Civilização Brasileira publicou Dicionário da antiguidade africana e, em parceria com Luiz Antonio Simas, Dicionário da história social do samba, vencedor do Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção, em 2016.

LUIZ ANTONIO SIMAS é mestre em história social pela UFRJ, professor de história no ensino médio e babalaô no culto de Ifá. Tem diversos livros publicados sobre as escolas de samba do Rio de Janeiro e suas comunidades. Recebeu o Prêmio Jabuti, em parceria com Nei Lopes, pela obra Dicionário da história social do samba. Pesquisador das culturas e religiões de matriz africana, publicou pela Civilização Brasileira O corpo encantado das ruas.

ESTANTE: FILOSOFIAS AFRICANAS – UMA INTRODUÇÃO / Nei Lopes e Luiz Antonio Simas / 144 págs. | R$ 34,90 / Ed. Civilização Brasileira | Grupo Editorial Record.