Jornal do Brasil

CadernoB - Ideias

Alexandra Gurgel, autora de 'Pare de se odiar', inicia pesquisa sobre o corpo para seu próximo livro 'Corpo livre'

Jornal do Brasil DANIELA CALCIA, daniela.calcia@jb.com.br

Alexandra Gurgel sempre enfrentou preconceitos. Por ser mulher e principalmente por estar acima do peso que a sociedade exige. Para desabafar e ajudar outras meninas com o mesmo problema, ela lançou o livro 'Pare De Se Odiar: Porque Amar O Próprio Corpo É Um Ato Revolucionário', que autografou na Bienal do Rio e é um best-seller, já está na quinta edição. "O livro é fruto de toda uma vida de uma mulher gorda que cresceu adolescente gorda e cheia de complexos. Achava que tinha que ser diferente, pois sempre aprendi que tinha um padrão a seguir, aprendi desde pequena que ser magra era o certo e ser gorda era o errado. Ser magra era bonito e ser gorda era feio. Então desde criança eu não me via nos desenhos ou na publicidade, não via em lugar nenhum as pessoas gordas serem bem representadas. Era sempre a gorda engraçada, a gorda valentona e a gorda que ninguém quer transar. A gorda que é sempre objetificada e marginalizada, então o livro tem muito a ver com a minha história de aceitação", revela.

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Alexandra Gurgel combate a gordofobia no canal Alexandrismos e nas redes sociais (Foto: Reprodução do Facebook)

Alexandra tem um canal no YouTube há quase cinco anos. "O Alexandrismo é o fruto de um trabalho de pesquisa, depois veio o livro", conta a escritora que já enfrentou preconceitos nas redes sociais. "O assunto é muito polêmico, sempre que a gente teve uma treta com algum famoso como Danilo Gentili e Marília Mendonça, foi porque essas pessoas não concordavam com o assunto que eu tava falando. Aceitar o próprio corpo é uma coisa normal e não polêmica. Ser uma pessoa livre com o corpo que você tem, como você é. Mas as pessoas acham que é uma loucura uma mulher gorda usar um biquíni ou uma roupa justa e sair por aí. Acham que isso é como se fosse um descaso, tem gente que acha que sou louca e me perguntam como posso me amar com o corpo que eu tenho. É muito simples, temos que ser livres e parar de se mutilar, parar de se odiar e de fazer mal pra gente mesmo. Que bom que o livro vendeu muito, o assunto é muito urgente!".

A escritora é muito procurada por outras meninas que também sofrem preconceito, e já começou suas pesquisas sobre o corpo para o próximo livro que vai lançar no ano que vem. "Muita gente me procura e tem proposta do livro ir para o exterior, pois aceitar o próprio corpo e aceitar quem somos é um assunto urgente, a gente tem que parar de se odiar, eu parei de me odiar e posso ser livre. Eu quero que todo mundo seja livre também, por isso o nome do segundo livro será 'Corpo Livre", que é um segundo passo nesse caminho de aceitação".  Confira o vídeo em que Alexandra mostra sua coleção de biquínis e bota seu corpinho pra jogo:

Alexandra continua a dar dicas sobre o segundo livro. "É uma pesquisa sobre o corpo no Brasil, como o corpo é visto e é lido em nosso país. A ideia é desmistificar o corpo de uma forma bem ampla, a gente vai falar de corpo no carnaval. É como se fosse o segundo 'Pare de se odiar', mas num passo um pouco mais à frente. A beleza eu já comecei a entender, mas como vou viver essa liberdade? Porque a grande verdade é que por mais que a gente se aceite, a gente vai pisar na rua e vai continuar sofrendo preconceito. Como lidar com isso e entender como são os corpos, entender como isso tudo acontece, é uma pesquisa muito mais profunda, mas a gente vai para um caminho de liberdade, de união entre as mulheres, principalmente mulheres, mas aberto a todos". E finaliza: "É um livro muito mais difícil pois a nossa sociedade é patriarcal e machista, e a mulher é sempre o objeto a ser subjugado, sempre marginalizado. A gente tem sempre que provar muita coisa. Quando somos livres, nos veem como piranha, só porque agimos feito homem. E o homem é livre para fazer o que quiser. A mulher que faz o que quer é uma piranha, então eu sou uma grande piranha".