Jornal do Brasil

CadernoB - Ideias

Bienal 2019: livros que dão prazer e políticas públicas são alternativas para formação de leitores

Jornal do Brasil , redacao@jb.com.br

O número de leitores e a qualidade da leitura no Brasil ainda têm muito o que melhorar. A mais recente - e única - pesquisa realizada no país sobre o assunto, datada de 2015, mostra que 56% dos entrevistados são considerados leitores, e destes, apenas 12% leem literatura. O assunto foi debatido na Bienal do Livro durante sessão do Café Literário “Retratos das leituras na criação literária”, que buscou recuperar a trajetória da formação e a leitura que inspirou os escritores brasileiros Walcyr Carrasco e Ana Paula Lisboa. Com a participação de Zoara Failla, coordenadora da pesquisa, e com medição de Bianca Ramoneda, eles ainda falaram sobre os desafios de se criar o hábito de ler e de propostas para mudar o cenário do levantamento. Aberta nesta sexta-feira, a Bienal vai reunir grandes nomes da literatura nacional e internacional, atores, músicos e youtuber em debates sobre os principais temas contemporâneos até o dia 8 de setembro, no Riocentro.

Macaque in the trees
Alunos do Circo Social Crescer &Viver visitam a 17ª edição da Bienal Internacional do Livro, que acontece Riocentro, na Barra, no Rio (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Autor de mais de 60 obras e dono de um acervo com mais de 11 mil títulos espalhados nas estantes e em pilhas no chão da casa, Walcyr Carrasco usou uma frase de Fernanda Young para definir sua paixão pela leitura e como incentivo: “Eu escrevo porque li”. Para ele, que se apaixonou por esse mundo aos 11 anos com Monteiro Lobato, a partir de livros emprestados, é imprescindível que se apresente opções às crianças e aos jovens, já que nem todos têm acesso ou nem sempre as obras oferecidas estão de acordo com o perfil e o momento de cada um. “É preciso associar o livro ao prazer”, salienta.

A escritora e colunista Ana Paula Lisboa tem a mesma opinião: “As escolhas surgem do reflexo das nossas histórias”. Diretora da produtora cultural Aláfia, em Luanda (Nigéria), ela fala com carinho das edições que frequentou da Bienal com a escola e, mais tarde, como autora. Para ela, o evento é um dos responsáveis por sua escolha pela profissão.

Segundo Zoara Failla, os dados da pesquisa mostram que 61% das escolas públicas não têm sequer biblioteca. Na zona rural, esse número sobe para 80%. Os participantes do debate frisaram que não há saída sem projeto social. “É necessário distribuição de livros, planejamento de formação de leitores. Tem que levar o livro ao aluno e ao professor”, destacou Carrasco. Zoara reforçou que é fundamental que os governos garantam a disponibilização das obras nas escolas, facilitando o acesso também aos professores. “Tenho uma preocupação especial com a questão dos investimentos, porque o Brasil é muito grande e tem uma diversidade que precisa ser trabalhada em todos os sentidos”, alertou.

Com investimento de mais de R$ 44 milhões, o festival é uma realização do Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL) e da GL exhibitions , apresentado pela Microsoft e com patrocínio master do Banco Itaú. O evento conta com apoio da lei federal de incentivo à cultura, através da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, e da lei municipal de incentivo à cultura da cidade do Rio de Janeiro, lei do ISS.la