CRÍTICA - Tenet: ação de trás pra frente

*** (cotação, 3 estrelas)

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Tempo é o elemento que move, basicamente, a filmografia do inglês Christopher Nolan. É assim desde ‘Amnésia’ (‘Memento’, 2006), o filme que lhe deu projeção internacional. E a equação espaço/tempo (e realidades paralelas) permeia filmes do diretor, como ‘A origem’ (‘Inception’, 2010), ‘Interstellar’ (2014) e ‘Dunkirk’ (2017). Este último, apesar de ser um drama de guerra/histórico - sem elementos sci-fi, como nos demais -, se passava em cinco momentos, simultaneamente (e o ‘reloginho’ da trilha-sonora servia como metrônomo da ação).

Agora, com ‘Tenet’ (cujo título em si já é um palíndromo), ele estende mais essa percepção tempo/espaço/realidade paralela, numa trama que se move para a frente. Mas, em dado momento, passa a acontecer em paralelo, do fim para o começo. Inclusive, é na metade do filme que ele se inverte de vez. Com isso, temos cenas de ação originais. Como lutas, cujos golpes são dados em reverso. E perseguições automobilísticas também feitas assim. As mais fascinantes, desde as de ‘Matrix’ (1999).

Por isso, explicar a trama de ‘Tenet’ não é tarefa fácil. Ele se parece com um filme de espionagem, a princípio. Mas, depois vai tomando a forma de um sci-fi, que, por vezes, tem algo de ‘No limite do amanhã’ (‘Edge of tomorrow’, 2014), sem os efeitos especiais deste. Nolan sempre tenta ser o mais realista possível, evitando o CGI. No máximo, filma no formato iMax, para tornar tudo grandioso.

A falha do filme é a escalação do elenco. Nenhum dos atores principais (exceto Robert Pattinson) é realmente carismático. Ou dão aos personagens a importância e peso que deveriam ter. O vilão, feito por Kenneth Branagh, chega a ser caricato. E o protagonista (John David Washington) tem zero de empatia. Inclusive, sua quase relação com uma personagem-chave, Kat (Elizabeth Debicki), é muito forçada.

Fora isso, quem mergulhar no engenhoso roteiro - que acontece nos dois sentidos de tempo, ao mesmo tempo -, verá, pelo menos, um filme original. E vai querer ver de novo, para tentar entender melhor o que acabou de ver.