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Emocionante estreia brasileira em Berlim

Jornal do Brasil MYRNA SILVEIRA BRANDÃO, cadernob@jb.com.br

“Cidade Pássaro”, de Matias Mariani, estreou sexta-feira à noite na Panorama da 70ª edição do Festival de Berlim, numa noite de gala que foi pura emoção. Mariani dedicou a sessão para a atriz e ativista Preta Ferreira, representante do MST que também está no filme e estava presente na sessão. Preta, vítima da perseguição política que está sofrendo por toda sua luta por moradia em SP e no Brasil, teve uma autorização judicial para vir a Berlim. Ela tem vários outros trabalhos no cinema ligados à consciência política, direito constitucional e moradia. Esteve em filmes como “Era o Hotel Cambridge”, de Eliane Caffé, e “Mesmo com Tanta Agonia”, de Alice Andrade Drummond.

Macaque in the trees
Cena do filme Cidade Pássaro (Foto: Reprodução)

Preta agradeceu a Mariani e fez um comovente pronunciamento que emocionou a todos.

A sessão contou ainda com a presença dos atores do elenco principal, os nigerianos OC Ukeje e Chukwudi Iwuji e a brasileira Indira Nascimento.

O filme é a história de Amadi, um jovem músico de Lagos, que viaja da Nigéria para São Paulo com a missão de localizar Ikenna, seu irmão que recentemente rompeu todos os laços com a família.

Amadi, que sempre foi mais descontraído e despreocupado, em contraste com a personalidade mais orientada para objetivos de Ikenna, teme que se ele não for encontrado, o manto do irmão mais velho será deixado para ele, juntamente com a responsabilidade de prover sua família.

No Brasil, Amadi segue as poucas pistas deixadas pelo irmão e descobre que Ikenna não é o professor de matemática que ele imaginava, mas na verdade inventou uma série intrincada e quase ilusória de esquemas para acumular riqueza no Brasil. Numa história enigmática em vários níveis, Amadi precisará enfrentar um ambiente de submundo cada vez mais ameaçador.

Finalmente, quando é confrontado com uma possibilidade concreta de encontrar seu irmão, Amadi é forçado a escolher entre a fidelidade à sua família ou o desejo de começar uma nova vida em São Paulo.

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Mariani apresentou Cidade Pássaro em entrevista coletiva em Berlim (Foto: Maria Antônia Gonçalves)

A ideia de realizar o filme é um projeto antigo do diretor. “Desde quando morei fora do Brasil na juventude tenho o desejo de fazer um filme sobre a sensação de ser um estrangeiro, de estar em uma cidade hermética, que não se abre para as pessoas. Ao mesmo tempo sou muito apaixonado por São Paulo, e sentia que tinha algo a contar sobre a cidade. O filme é o resultado do encontro dessas duas vontades, diz o diretor, expressando sua satisfação pela première mundial de “Cidade Pássaro” na Berlinale.

“Estar em Berlim é um reconhecimento enorme para todos nós que realizamos o filme, e sou muito grato por isso. Acho também que demonstra um interesse do cinema internacional em ir além das histórias que se espera do Brasil”, complementa Matias.

O filme, que concorre ao premio de audiência da mostra Panorama terá mais cinco sessões no festival.