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23ª Mostra Tiradentes homenageia Antônio e Camila Pitanga

Evento abre o calendário audiovisual brasileiro, com pré-estreia mundial de "Escravos de Jó", dirigido por Rosemberg Cariry

Jornal do Brasil CADERNO B, cadernob@jb.com.br

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A força da imaginação é o norte eleito da 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes, a que permite que algum futuro seja vislumbrado mesmo diante de um presente saqueado pelo conservadorismo e pela legitimação da intolerância. Uma solução, portanto, é ser propositivo diante de um cenário incerto, é olhar adiante e enxergar na arte e na criação os caminhos possíveis para novos rumos. A temática da Mostra este ano segue por essa via: “A imaginação como potência”.

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Camila e Antônio Pitanga serão homenageados pela 23ª Mostra Tiradentes de Cinema (Foto: Leo Lara/Universo Produção)

A Mostra de Cinema de Tiradentes será realizada entre os dias 24 de janeiro e 1° de fevereiro, na cidade histórica mineira. A curadoria, sob coordenação do crítico Francis Vogner dos Reis, propôs o tema “A imaginação como potência” para reforçar que, mesmo numa época de dúvidas, o cinema brasileiro vive um momento de absoluta efervescência criativa e de recepção. “O que emerge na atual produção no país é o desejo de interpretar nossa experiência hoje, de projetar caminhos possíveis, de provocar imagens que nos remetam a uma perspectiva sobre o passado tendo em vista não só um olhar original sobre fraturas sociais e políticas, mas também uma superação destas num desejo de futuro”, destaca Francis. “Existem filmes, documentários e ficções que olham o presente e colocam as coisas em termos históricos, atentando para o mundo como ele é e se questionando como ele poderia ser”.

HOMENAGEM: ANTÔNIO E CAMILA PITANGA

A mostra homenageia esse ano os atores Antônio e Camila Pitanga, pai e filha, 80 e 42 anos, icones de seus próprios tempos, por motivos e trajetórias distintas. Para Francis Vogner dos Reis, “homenagear os dois juntos é afirmar não só suas trajetórias, mas também reconhecer suas diferenças – criativa, simbólica e política”.

itanga, o pai, nasceu em 1939 em Salvador. Fez teatro e cinema desde muito jovem e estreou nas telas em 1960 com “Bahia de Todos os Santos”, de Trigueirinho Neto. Seguiu numa série de filmes marcantes que remodelaram todo um jeito de fazer cinema no Brasil: “A Grande Feira” (Roberto Pires, 1961), “O Pagador de Promessas” (Anselmo Duarte, 1962), “Barravento” (Glauber Rocha, 1962), “Ganga Zumba” (Carlos Diegues, 1963), “Os Fuzis” (1964) e por aí adiante.

Pitanga, a filha, nasceu em 1977 no Rio de Janeiro. Estreou nos cinemas ainda criança, junto com o irmão Rocco, num filme emblemático: “Quilombo” (1984), de Carlos Diegues, que marcou época por reunir um histórico elenco negro que incluía Grande Otelo, Zezé Motta, Antonio Pompêo, Tony Tornado, Léa Garcia, Milton Gonçalves, Zózimo Bulbul e Antônio, pai de Camila.

Dali adiante, a trajetória cinematográfica de Camila Pitanga transitou por praticamente todos os tipos de filmes realizados do Brasil desde a Retomada nos anos 1990: infantil (“Super Colosso”, Luiz Ferré, 1995), comédia derivada da TV (“Caramuru – A Invenção do Brasil”, Guel Arraes, 2001), drama histórico (“O Preço da Paz”, Paulo Morelli, 2003), aventura social (“Redentor”, Cláudio Torres, 2004), radicalismo (“O Signo do Caos”, Rogério Sganzerla, 2004), melodrama criminal (“Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios”, Beto Brant, 2011) e documentário, filmando justamente a trajetória do pai, em “Pitanga” (2017, codireção de Beto Brant).

FILME DE ABERTURA: MOSTRA HOMENAGEM - PRÉ-ESTREIA MUNDIAL | “OS ESCRAVOS DE JÓ”

Para abrir a 23a Mostra de Cinema de Tiradentes, o filme escolhido tem Antônio Pitanga no elenco. “Os Escravos de Jó”, do diretor cearense Rosemberg Cariry e filmado em Ouro Preto, estará em pré-estreia mundial na noite de 24 de janeiro, no Cine-Tenda. No 12° longa-metragem de Cariry, os estudantes Samuel e Yasmina se apaixonam na cidade mineira e precisam vencer dificuldades e preconceitos para afirmarem o amor. Personagens do passado e do presente cruzam os caminhos dos jovens, arrastando-os para um inesperado destino.

No enredo, Pitanga interpreta um livreiro amigo do protagonista, efoi especialmente convidado para o papel pelo diretor Rosemberg Cariry. “Ele faz esse velho livreiro de ascendência judaica, chamado Jerémie Valés, imigrante do norte da África com história de vida passada também na França. Um personagem que viveu os horrores da Segunda Guerra Mundial, mas que manteve viva a esperança e a chama da poesia”, conta Cariry.

Para o cineasta, ter Antônio Pitanga em “Os Escravos de Jó” foi um privilégio. “Ele é um grande ator, por quem tenho admiração e respeito. Afora o reconhecido talento para o cinema e para o teatro, Pitanga é uma pessoa de alma boa, do bem. Está sempre disposto a colaborar e faz, com a sua criatividade, o filme crescer”, exalta Cariry.

SOBRE A MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

Maior evento dedicado ao cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias nacionais, de longas e curtas – uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

SERVIÇO: 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes / 24 de janeiro a 1° d de fevereiro / Patrocínio: Codemge/ Governo de Minas Gerais/ Leis de incentivo à cultura Federal e Estadual / Parceria Cultural: Sesc em Minas / Incentivo: Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais / Idealização e realização: Universo Produção. Locais de realização do evento: Centro Cultural Sesiminas Yves Alves / Largo das Fôrras / Largo da Rodoviária.