ARTES

Sonhos de Varo

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Por PATRICIA SECCO

Publicado em 08/10/2026 às 11:53

Alterado em 08/10/2026 às 11:53

A artista plástica espanhola Remedios Varo e uma de suas obras Foto: reprodução

Na segunda-feira, dia 5, visitei o Louisiana Museum of Modern Art, em Humlebæk, perto de Copenhague, e mergulhei no universo de Remedios Varo. Suas pinturas nos convidam a atravessar uma fronteira invisível, onde sonho, ciência e magia se encontram. Entre personagens enigmáticos, construções misteriosas e paisagens imaginárias, cada quadro parece guardar uma história à espera do nosso olhar.
A exposição reúne mais de 70 trabalhos e acompanha diferentes momentos de sua trajetória. É uma oportunidade de conhecer a delicadeza e a precisão de uma artista que soube dar forma ao impossível.



Uma das impressionantes 70 obras de Remedios Varo exposta no Lousiana Museum of Modern Art, em Humlebaek, Dinamarca Foto: Patricia Secco


Nascida na Espanha, em 1908, María de los Remedios Alicia Rodriga Varo y Uranga aprendeu a desenhar com o pai, que era engenheiro, e depois estudou arte. Em Paris, aproximou-se do surrealismo, mas a guerra interrompeu sua vida na Europa. Em 1941, encontrou refúgio no México, onde desenvolveria sua linguagem mais reconhecida. Ali, a amizade com Leonora Carrington tornou-se um espaço de cumplicidade e experimentação. Seus interesses pela alquimia e pela psicologia também alimentaram sua criação.

O que me encanta é o cuidado com que Varo constrói suas imagens. A liberdade da imaginação convive com uma pintura minuciosa. Há músicos, viajantes, cientistas e seres híbridos que parecem envolvidos em tarefas secretas. Suas cores e sua técnica dialogam com a pintura do final da Idade Média e do início do Renascimento, enquanto as cenas escapam a qualquer época definida.



Sonho, ciência e magia se encontram nas obras de Varo. Foto: Patricia Secco


A liberdade da imaginação convive com a pintura minuciosa de Varo Foto: Patricia Secco


Vejo nesses personagens uma busca interior. Como se cada viagem, cada invenção e cada transformação fossem maneiras de perguntar quem somos e o que podemos nos tornar. Essa é minha leitura: diante de suas obras, sinto que o mistério abre espaço para nos reconhecermos.

Como artista, encontro afinidade nessa liberdade de aproximar mundos. Em meu trabalho, a natureza, os fios e as metamorfoses também me levam a transformar sentimentos em imagens. Varo me faz pensar na força da criação feminina e na coragem de construir uma linguagem própria.

Remedios Varo morreu em 1963, mas suas pinturas continuam despertando perguntas. Saí da exposição com a sensação de que algumas imagens permanecem dentro de nós como sonhos: mesmo depois de acordarmos, continuam mudando nossa maneira de ver.

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