ARTES

Fundação Maeght: onde a arte encontra a natureza

...

Por PATRÍCIA SECCO

Publicado em 30/07/2026 às 14:43

Alterado em 30/07/2026 às 14:43

A escultura de Alexander Calder nos jardins da Fundação Maeght, no sul da França Foto: Patricia Secco

Na semana passada, tive o privilégio de visitar a Fundação Maeght, em Saint-Paul de Vence, no sul da França. Há lugares que nos encantam pelas obras que abrigam. Outros nos transformam pela forma como a arte dialoga com a paisagem. A Fundação Maeght faz as duas coisas.

Logo ao chegar, compreendi que não estava entrando apenas em um museu, mas em um espaço onde arquitetura, escultura, pintura e natureza convivem em perfeita harmonia. Os jardins, cercados por pinheiros mediterrâneos, acolhem obras monumentais de Alexander Calder, Joan Miró, Alberto Giacometti, Georges Braque e tantos outros artistas que ajudaram a construir a história da arte moderna.

 


Uma das obras de Jean Dubuffet, o criador do conceito Arte Bruta, exposta na Fundação Maeght Foto: Patricia Secco

 

A Fundação nasceu do sonho de Aimé e Marguerite Maeght que, após a perda de seu filho Bernard, decidiram criar um lugar dedicado à arte e à amizade entre artistas. O projeto arquitetônico, assinado por Josep Lluís Sert, traduz essa filosofia: os espaços se abrem para a luz natural, para os jardins e para a contemplação, fazendo com que cada obra pareça ter encontrado ali o seu lugar definitivo.

 


Uma das maravilhosas obras do franco-russo Marc Chagall Foto: Patricia Secco

 


Picasso também presente na Fundação Maeght Foto: Patricia Secco

 

Entre esculturas monumentais, mosaicos de Miró e a força das formas de Calder recortando o céu azul da Provence, senti que a arte respirava junto com a paisagem. Não há separação entre o edifício e a natureza. Tudo faz parte da mesma composição.

Como artista visual, essa visita foi profundamente inspiradora. Mais do que admirar grandes mestres, pude perceber como um espaço expositivo pode ampliar a experiência da arte, permitindo que o visitante caminhe entre as obras, descubra novas perspectivas e estabeleça um diálogo íntimo com cada criação.

Saí da Fundação Maeght com a certeza de que a verdadeira arte não ocupa apenas paredes ou pedestais. Ela ocupa o espaço, o tempo e, principalmente, a memória de quem a vivencia. Foi uma das visitas mais marcantes da minha temporada no sul da França e uma experiência que levarei comigo para inspirar minha própria Arte.

Deixe seu comentário