ARTES
Mougins: onde Picasso escolheu viver seus últimos dias
Por PATRÍCIA SECCO
Publicado em 16/07/2026 às 07:03
Alterado em 16/07/2026 às 11:55
A charmosa Mougins, pequena vila medieval, no sul da França Foto: divulgação
Vivi, nesta segunda-feira (13), aqueles momentos que fazem a arte deixar de ser apenas contemplação para se transformar em emoção.
Estou no sul da França e fui conhecer Mougins, uma pequena vila medieval cercada pela luz da Provence, que guarda uma ligação profunda com Pablo Picasso. Logo na entrada da cidade, somos recebidos por uma escultura monumental de sua cabeça, obra do escultor Gabriel Sterk. A dimensão da peça impressiona, mas é o olhar de Picasso que nos prende. Um olhar silencioso, intenso e quase eterno.

Eu e a homenagem a Pablo Picasso na linda Mougins Foto: Sérgio Margulis
A homenagem não é por acaso. Em 1961, Picasso escolheu Mougins para viver seus últimos anos. Instalou-se na propriedade Notre-Dame-de-Vie, onde permaneceu até sua morte, em 8 de abril de 1973, aos 91 anos. Foi ali que continuou criando com uma liberdade admirável. Mesmo já consagrado como um dos maiores artistas de todos os tempos, manteve uma produção intensa, pintando, desenhando, gravando e esculpindo até o fim da vida.
Enquanto caminhava pelas ruas de pedra da vila, imaginei Picasso observando a mesma luz dourada que iluminava meu caminho. Entendi por que escolheu esse lugar. Mougins possui um silêncio raro, uma paisagem que inspira e uma atmosfera onde o tempo parece desacelerar.
A escultura monumental não celebra apenas o gênio criativo de Picasso. Ela simboliza o agradecimento de uma cidade ao artista que a escolheu como seu último lar. É como se Mougins dissesse, em bronze: “Você pertence para sempre à nossa história.”
Viajar por lugares assim nos faz compreender que a arte não vive apenas nos museus. Ela permanece nas cidades, nas paisagens, na memória dos habitantes e na emoção de quem passa por elas.
Saí dali pensando que os grandes artistas nunca partem completamente. Eles continuam presentes nos lugares que amaram e nas obras que deixaram ao mundo.
E, diante daquele rosto gigantesco de Picasso, tive a sensação de que ele ainda observa Mougins com o mesmo olhar inquieto de quem nunca deixou de criar.

Cheia de obras de artes, uma das encantadoras vielas de Mougins Foto: divulgação