ARTES

Waltercio Caldas: quando a arte nos convida a desacelerar

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Por PATRÍCIA SECCO

Publicado em 02/07/2026 às 08:04

Alterado em 02/07/2026 às 12:26

A mostra de Waltercio Caldas reúne cerca de 100 obras produzidas entre 1967 e 2025 Foto: Pedro Ivo Transferetti/Divulgação

Há artistas que criam objetos. Outros criam experiências. Ao visitar a exposição “o (tempo)”, do carioca Waltercio Caldas, na Casa Roberto Marinho, em Laranjeiras, tive a sensação de caminhar por um espaço onde o tempo deixa de ser medida e passa a ser percepção.

As esculturas parecem desafiar a gravidade e a lógica. Tubos de aço, vidro, planos transparentes e volumes mínimos dialogam com o vazio, fazendo dele parte essencial da obra. Nada é excessivo. Cada linha, cada intervalo e cada silêncio têm um papel preciso. Em muitos momentos, senti que o espaço entre os objetos era tão importante quanto os próprios objetos.

Waltercio Caldas nos convida a desacelerar. A olhar novamente. O que parecia simples revela enorme complexidade. O que parecia sólido torna-se leve. O que parecia definitivo se transforma conforme mudamos de posição. A obra nunca é exatamente a mesma, porque o observador também não é.

 


A grande arte de Waltercio Caldas não entrega respostas, amplia perguntas Foto: Patricia Secco

 


As esculturas de Waltercio parecem desafiar a gravidade e a lógica Foto: Patricia Secco

 

Saí da exposição pensando que, em um mundo tão acelerado, talvez o maior gesto artístico seja justamente nos ensinar a parar. A contemplar. A perceber que o tempo não é apenas aquilo que passa, mas também aquilo que conseguimos viver plenamente.

A mostra, que reúne cerca de cem obras produzidas ao longo de quase seis décadas, entre 1967 e 2025, não segue uma ordem cronológica. Em vez disso, propõe um percurso poético em que diferentes momentos da trajetória do artista dialogam entre si, reforçando sua investigação sobre espaço, forma, luz e percepção.

Mais uma vez, deixei um museu com a certeza de que a grande arte não entrega respostas. Ela amplia perguntas. E Waltercio Caldas faz isso com uma elegância rara: transforma o invisível em matéria e nos faz perceber que, talvez, o tempo seja a mais delicada de todas as esculturas.

Serviço:
A mostra, inaugurada em 14 de maio, vai até 27 de setembro de 2026 no Instituto Casa Roberto Marinho localizado na Rua Cosme Velho, nº 1105 – Rio de Janeiro.
Visitação: terça a domingo, das 12h às 18h (aos sábados, domingos e feriados, a área verde e a cafeteria a partir das 9h). Ingressos à venda exclusivamente na bilheteria.


O que parece simples na obra de Waltercio, revela enorme complexidade Foto: Patricia Secco

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