ARTES
A magia de Vick Muniz
Por PATRICIA SECCO
Publicado em 04/06/2026 às 11:56
Alterado em 04/06/2026 às 12:06
A águia poderosa da Vick Muniz Foto: Patricia Secco
Neste sábado, mergulhei em uma das exposições mais impactantes que vi nos últimos tempos: a de Vik Muniz - A Olho Nu, no Centro Cultural Banco do Brasil. Enorme em dimensão, mas ainda maior em significado, a mostra revela a capacidade rara do artista de transformar materiais comuns — e muitas vezes descartados — em obras de uma beleza surpreendente.
Chocolate, açúcar, sucata, lixo, dinheiro, brinquedos, fios e objetos do cotidiano ganham uma nova existência sob seu olhar. À distância, vemos retratos, paisagens e cenas cuidadosamente construídas. De perto, descobrimos um universo de fragmentos que contam outras histórias. É justamente nessa aproximação que mora a magia de Vik Muniz.

O Che Guevara de Vick Muniz ilustrado com feijões Foto: Patricia Secco
Caminhei pela exposição lentamente, detendo-me diante de cada obra. Havia delicadeza, humor e crítica social convivendo no mesmo espaço. Um prato de macarrão transforma-se em um grito silencioso. O dinheiro desenha uma águia poderosa. O lixo revela rostos e personagens. Os brinquedos coloridos compõem figuras que falam sobre consumo, excesso e desejo.
O artista nos convida a refletir sobre aquilo que valorizamos e aquilo que descartamos. Em suas mãos, os resíduos da sociedade tornam-se arte; o efêmero ganha permanência; o banal transforma-se em extraordinário.

O sino flutuante Foto: Patricia Secco

O grito silencioso em uma obra impactante de Muniz vista do alto na exposição do CCBB Foto: Patricia Secco
Saí da exposição com a sensação de que a beleza pode estar em qualquer lugar, desde que exista um olhar capaz de revelá-la. Vik Muniz não apenas cria imagens. Ele cria perguntas. E talvez seja exatamente por isso que sua obra nos encanta tanto: porque nos obriga a enxergar o mundo de outra forma
A exposição de Vick Muniz ficará em cartaz até 7 de setembro, de quarta-feira a segunda, de 9 às 20 horas, no Centro Cultural Banco do Brasil, localizado na rua Primeiro de Março , 66, Centro - Rio.