ARTES

Minhas Tramas

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Por PATRICIA SECCO

Publicado em 19/03/2026 às 09:01

Alterado em 19/03/2026 às 13:05

Bordado sem tela Foto: Patricia Secco

Em Tramas, misturo tear e bordado diretamente sobre a tela. A tela deixa de ser apenas um suporte e passa a ser um corpo vivo, atravessado por fios, pontos e gestos…

Perfuro, costuro, teço como quem constrói um território, camada por camada.

Essa série nasce da minha preocupação com a Natureza. Árvores e cogumelos aparecem como formas simbólicas no meu trabalho.

As árvores falam de raízes, crescimento e sustentação. Os cogumelos, tão silenciosos quanto essenciais, me interessam pela ideia de regeneração, de conexão invisível, de vida que acontece debaixo da terra, longe do olhar imediato.

O tear me dá estrutura, ritmo, repetição — quase como os ciclos naturais.

O bordado entra de forma mais livre, intuitiva, como um desenho costurado à mão. Entre um e outro, deixo o trabalho respirar.

Gosto quando o fio escapa da tela, quando o ponto fica suspenso, quando o nó aparece. Não busco perfeição. Busco presença…

As tramas às vezes se adensam, criando volumes e corpos têxteis. Em outros momentos, se abrem em linhas soltas, fragmentos, sinais gráficos que lembram galhos, raízes, micélios.

Tudo está em processo, nada é definitivo.

As cores que escolho vêm da Natureza: verdes orgânicos, vermelhos pulsantes, azuis profundos, tons terrosos e solares. Cada obra funciona para mim como um pequeno ecossistema, em equilíbrio instável, mas vivo.

Misturar tear e bordado sobre a tela é, para mim, um gesto poético e também político.

É trazer saberes ancestrais, ligados ao fazer manual e ao feminino, para o centro da arte contemporânea.
Tramar é cuidar. É observar. É resistir.

Em Tramas, acredito que a arte acontece no entrelaçamento — entre fio e tela, natureza e cultura, visível e invisível.

Como na própria Natureza, tudo está conectado.

E espero você, querido leitor, para a abertura da minha exposição TRAMAS, no dia 25 de março, a partir das 16h e que irá até 9 de maio, no Centro Cultural dos Correios, Rio, localizado na Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro.


Tear sem ardume Foto: Patricia Secco


Cogumelos em feltragem em lâmpadas Foto: Patricia Secco


Bordado sem tela Foto: Patricia Secco

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