ARTES

Mona Lisa: mito, espelho, obsessão coletiva

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Por PATRICIA SECCO

Publicado em 05/02/2026 às 12:26

Alterado em 05/02/2026 às 12:26

O olhar da Mona Lisa de Leonardo da Vinci Foto: reprodução

Em janeiro, quando entrei no Museu do Louvre, Paris, fui direto para a obra que mais me atrai naquela imensidão de artes: Mona Lisa, que, além de ser uma pintura, um retrato, é uma pausa. Um intervalo delicado entre o que se revela e o que insiste em permanecer segredo.

Pintada por Leonardo da Vinci, ela não apenas se oferece para que a olhemos, ela nos acolhe. Quem se aproxima sente que é observado de volta, como se aquele rosto soubesse algo que nós ainda estamos tentando entender. Seu sorriso não começa nem termina. Ele flutua. É chegada, é despedida.

Leonardo a construiu usando o sfumato, em camadas quase invisíveis, como técnica da pintura renascentista. Tudo é transição: da luz à sombra, do riso ao silêncio, do corpo à paisagem.

Ao fundo, um mundo que não existe — rios impossíveis, montanhas sonhadas — como se o interior daquela mulher fosse vasto demais para caber apenas em um rosto. Não existe ali nenhum contorno rígido.


Mona Lisa: a principal e mais enigmática obra de Leonardo da Vinci Foto: reprodução

Dizem que ela é Lisa Gherardini. Outros sugerem que é o próprio Leonardo.

Talvez seja todos nós. Talvez seja apenas a ideia de humano que atravessa o tempo.

O mais curioso é pensar que, por séculos, ela viveu quase anônima, até desaparecer — roubada, silenciada — para então retornar maior do que nunca.

Desde então, não é só pintura: é mito, é espelho, é obsessão coletiva.

Hoje, atrás do vidro que a protege no Museu do Louvre, ela permanece intacta em sua quietude.

Multidões passam, celulares se erguem, o mundo corre. E ela fica. Serena. Intocável. Como quem sabe que o tempo não tem pressa quando se é eterno. Ela não fala, sussurra. E a observando, mais uma vez, sempre acho que a obra prima de Da Vinci está me ensinando a escutar algum mistério.


Mona Lisa sempre a mais atraente obra exposta no Museu do Luvre, em Paris. Foto: reprodução

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