CADERNO B
Exposição de Miró é prorrogada no MAB FAAP, em São Paulo
Por CADERNO B
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Publicado em 11/10/2026 às 16:46
Alterado em 11/10/2026 às 16:46
Estão expostos filmes, gravuras, litografias, esculturas, fotografias e tapeçarias - muitos inéditos no Brasil Foto: Successió Miró/ AUTVIS
O público da capital paulista ganhou mais tempo para visitar Miró: Mestre das Formas, em cartaz no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB FAAP), em Higienópolis. A mostra seguirá aberta até 13 de dezembro e reúne mais de 100 obras de Joan Miró, um dos nomes mais importantes da arte do século 20.
O acervo inclui gravuras, litografias, esculturas, filmes, fotografias e tapeçarias, com trabalhos inéditos no Brasil. A diversidade de suportes evidencia a amplitude da produção do artista catalão e oferece ao visitante um panorama amplo de sua trajetória criativa.
Formação, surrealismo e experimentação
Miró teve contato cedo com o universo artístico e, ainda adolescente, estudou em uma escola de belas artes. Foi discípulo de Francesc d’Assís Galí i Fabra, referência importante em sua formação, e ao longo da vida desenvolveu uma obra marcada pela experimentação e pela busca constante por novas linguagens.
Embora tenha se aproximado inicialmente do fauvismo, o artista aprofundou sua relação com o surrealismo e construiu uma assinatura visual própria. Sua produção combina formas biomórficas, abstração e referências orgânicas, criando composições que dialogam com o imaginário e com a percepção do espectador.
Guerra, exílio e contexto político
A dimensão sociopolítica também está presente em sua obra. Miró viveu no exílio por causa da Guerra Civil Espanhola, e esse período deixou marcas visíveis em sua arte, ainda que expressas de forma abstrata. Mesmo sem recorrer à representação literal, ele transformou sentimentos e tensões históricas em linguagem plástica.
A mostra permite acompanhar esse percurso e perceber como o artista passou do encontro com André Breton, fundador do surrealismo, às composições que consolidaram sua relevância internacional. A visita também reforça o caráter humanista de Miró, lembrado pelo neto Joan Punyet Miró como alguém atento aos refugiados e aos mais desfavorecidos.